Na seção Empregos, empresas buscam pespontador, chanfrador, “moça para colocar sapato na caixa” e “arrancador de prego”. Há ainda os anunciantes que querem vender blaqueadeiras, soladeiras e até retalhos de couro. Ao passar os olhos pelas páginas de Classificados do Comércio, é fácil saber que se está lendo um jornal com DNA francano. O fato da vocação da cidade inclinar sobre o setor calçadista é refletido na seção, que traz termos muitas vezes indecifráveis para quem não tem familiaridade com o ramo.
Entretanto, mais do que buscar auxiliares de plancheamento, passadores de cola, esfumaçadores e arranhadores, outra gama de anunciantes - esta pequena - vê nas páginas do Comércio uma oportunidade de negociar o inimaginável. Já pensou em comprar, vender ou alugar partes do corpo ou comercializar produtos inexistentes? Pois é, tem gente que sim.
Entre os casos emblemáticos, a gerente do setor de Classificados, Gisele Vieira, conta sobre uma pessoa que queria, a todo custo, comercializar um de seus rins. Em outra situação, uma francana desejava anunciar que estava disponível para alugar a própria barriga para gerar uma criança em troca de uma grana. “Entre os mais curiosos estão também os de pessoas que buscam relacionamento sério (casamento). Em um dos casos de procura por uma companheira, a redação fez uma matéria com o anunciante e constatou a grande procura de interessadas. Foi engraçado”, afirmou Gisele.
Outro caso que ficou na história dos balcões de anúncios foi o de um homem que dizia ter um filhote de lobisomem para vender. Questionado pelas atendentes, ele se limitava a dizer que o fi- lhote era dele e que, portanto, tinha o direito de vendê-lo. Claro que o tal anúncio não foi publicado, mas, segundo a gerente do setor, Gisele Vieira, foi preciso muita conversa para fazer o anunciante desistir da ideia.
CUIDADOS
Para evitar que sejam publicados casos bizarros como os citados acima, ou até mesmo inidôneos, uma série de cuidados faz parte da rotina de trabalho do setor de classificados. Gisele explica que não são publicados anúncios que traduzam brincadeiras de mau gosto, a exemplo de pessoas mal intencionadas que tentam publicar o falecimento ou missa de um amigo ou desafeto vivo. Há ainda um controle rígido para evitar que alguém publique a venda de um bem que não lhe pertença. “Inúmeras vezes detectamos no balcão a intenção de um amigo ‘sacanear’ o outro no dia do seu aniversário, anunciando a venda do seu carro ou moto”, disse a gerente.
Outro cuidado é sempre desconfiar de ofertas mirabolantes. Um exemplo claro de casos assim foi a publicação de ofertas de financiamento e venda de carros com preços inacreditáveis vindas do interior da Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro e outros Estados, cuja condição para efetivação era o envio de parte em dinheiro. “Alguns leitores enviaram o dinheiro e a perda foi certa. Imediatamente após a reclamação dos leitores, paramos de aceitar classificados desses anunciantes. A responsabilidade de um anúncio é sempre do anunciante, mas, se conseguimos detectar alguma ilegalidade ou vantagem indevida, recusamos”, afirma Gisele.
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Curiosidades dos Classificados
Confira anúncios curiosos publicados na seção:
Alma gêmea (27/02/2007)
Morena, 40 anos, cabelos e olhos castanhos, solteira, 1,63 metro de altura e 67 quilos, situação financeira estável. Esta era a descrição de uma professora que procurava um homem de 50 a 65 anos para relacionamento sério. Com a repercussão, rapidamente ela recebeu 12 cartas para escolher.
Amor animal (3/5/2007)
Depois que uma comerciante anunciou que seu caõzinho de dois anos, o yorkshire Fliper, procurava uma namorada, choveram candidatas e visitas foram agendadas. O peludo era exigente: queria uma companheira da mesma raça e com pedigree.
Partido político (18/09/2011)
Para buscar o sonho de ser vereador, um francano aposentado encontrou uma maneira diferente: publicou anúncio no Caderno Classificados do Comércio da Franca com os dizeres: “Sou morador no City Petrópolis há 2 meses, procuro partido político para me filiar e sair candidato no ano que vem”.
Vítima de furto (23/09/2012)
Depois de ter sua casa na Vila Chico Júlio invadida por ladrões, uma assistente financeira ficou sem seu cachorro da raça shitzu. Ela apostou nos leitores dos Classificados para encontrá-lo e fez um anúncio. O animal foi encontrado perto da rua da Integração em poucos dias.