Iniciado na década de 20 pelo pedagogo francês Célestin Freinet, o movimento que leva os jornais para dentro das salas de aula chegou ao Brasil no início dos anos 60, pelas mãos de Paulo Freire. Acreditando na força da ideia e nos benefícios da informação para a formação da cidadania, o Comércio implantou, nos anos 70, o projeto Jornal Escola, envolvendo dezenas de instituições de ensino de Franca. “No início, os alunos eram recebidos pela presidente do Conselho Consultivo do GCN, Sonia Machiavelli, que apresentava as instalações e o processo de produção do jornal a eles. Tenho orgulho de tê-la sucedido nessa função, na década de 90, quando a sede do jornal ficava ainda no Centro, na Ouvidor Freire. Depois, acompanhando os passos do grupo e atentendo ao interesse do público alvo, o projeto foi crescendo e hoje tem muitos ‘braços’. Ele é, sem dúvida, um dos grandes orgulhos do GCN”, disse a editora-chefe do Comércio, Joelma Ospedal.
Hoje, o projeto tem 46 escolas parceiras que recebem diária e gratuitamente vários exemplares do Comércio para uso em sala de aula.
Além da distribuição, o formato de desenvolvimento do Jornal Escola foi aperfeiçoado com a realização de oficinas, palestras, visitas e concursos culturais. “O projeto tem uma aceitação tão boa entre os edu cadores, que a Secretaria da Educação o incluiu no planejamento de todas as escolas da rede municipal”, disse Sônia Machiavelli.
Depois de um ano inteiro participando dessas atividades, as escolas elaboram um jornal completo, produzido pelos próprios estudantes. Esse “trabalho de conclusão” é feito de maneira tão especial, que instituimos um concurso. Os responsáveis pelos melhores jornais são homenageados em solenidade pública, aqui no GCN, e são, também, premiados”, disse Sônia.
O ‘CLUBINHO’
Um dos suplementos do jornal mais trabalhado pelo Jornal Escola é o Clubinho. Há dez anos o caderno, que tem espaço para publicação dos alunos, culinária, curiosidades, dicas de leitura, tirinhas, entre outros -, tem sido acolhido por seus jovens leitores. “A recepção do Clubinho por parte do público infantil vem me surpreendendo”, disse Sonia Machiavelli, que é também editora do suplemento. “Como ele é um dos braços do nosso Jornal Escola, acabo tendo retorno direto. Os professores trabalham o Clubinho em sala de aula e procuro ouvi-los, saber quais assuntos as crianças querem que sejam abordados. Além disso, ouço, por exemplo, que nossos leitores fazem coleção da seção Bicho da Vez, que experimentam as receitas que passamos... Então, acredito na importância do caderno”, disse Sonia. “Da nossa parte, fica a satisfação de saber que estamos contribuindo para a formação de um leitor”.