08 de julho de 2026

Sem a pressa necessária


| Tempo de leitura: 2 min

Muitos dos erros do prefeito Alexandre Ferreira nestes seus primeiros seis meses de mandato podem ser creditados à falta de traquejo político. Ainda inexperiente, como chefe do Executivo francano o tucano coleciona episódios em que apresenta momentos de indecisão quando seria necessária uma ação rápida. Afinal, seus eleitores esperavam uma resposta que surgiu tardiamente, diante da pressão da opinião pública. Assim foi com a demissão do ex-secretário Wilson Teixeira, cuja condenação por improbidade administrativa pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, aliada a uma denúncia no Ministério Público por fraude em licitação e superfaturamento, pelo que parece, não teriam sido suficientes para convencer o prefeito a afastar o assessor de sua administração.

Agora, diante das manifestações que foram replicadas em todo o País, contra o alto valor das passagens do transporte coletivo urbano, Alexandre Ferreira sobe no muro. Enquanto diversos municípios reduziram o valor da tarifa, em Franca o prefeito resolveu formar uma comissão para discutir o assunto. Em seu discurso e entrevista coletiva na última terça-feira, a fala de Alexandre soa como defesa da Empresa São José (que havia solicitado aumento da tarifa para absurdos R$ 3,95), quase que justificando a necessidade de aumento da tarifa. Fica difícil sustentar a tese defendida pelo prefeito, na medida em que a tarifa de Franca é mais alta do que a praticada em 20 capitais brasileiras. É mais alta também do que em diferentes cidades. A vizinha Ribeirão Preto reduziu duas vezes o valor da tarifa, que passou para R$ 2,75 e pode cair ainda mais, uma vez que as manifestações pressionam por R$ 2,60. Se houve espaço para a redução em outras cidades, por que justamente em Franca não haveria de ter? Ainda que se torne como verdadeiros os argumentos do prefeito que culpa a gratuidade nos ônibus pelo alto valor da tarifa por que ele não apresentou uma proposta para resolver essa questão, ou, no mínimo, por que não trouxe o debate para o campo político?

Enquanto outros agentes políticos se movimentam mais rapidamente, dando valor à voz das ruas, Alexandre Ferreira tergiversa. Até o governo federal sentiu-se acuado e buscou dar uma resposta aos protestos: já se fala em plebiscito para reforma política, a PEC 37 foi enterrada e a Câmara dos Deputados tem projeto de desoneração para as empresas de transportes, o que permitiria uma redução maior no valor da passagem.

A eleição de Alexandre Ferreira foi legítima; sua vitória nas urnas incontestável. Sua capacidade de trabalho não está em discussão, nem seu empenho, mas a cada dia que ele se mostra descolado dos anseios da população que apostou nele, é um passo para a perda de sustentação. Os assuntos que refletem diretamente na vida dos cidadãos francanos não podem ser protelados ou deixados em segundo plano. Se há um erro que político algum pode se dar ao luxo de cometer é ficar distante da voz das ruas. Afinal, Vox populi, vox dei. A voz do povo (é) a voz de Deus.