07 de julho de 2026

O poder da pressão


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Que as manifestações populares que sacodem o País há duas semanas surpreenderam os políticos brasileiros, ninguém duvida. Apanhados no contrapé sentiram a pressão e, aos poucos, muitos estão indo até contra a orientação partidária para dar uma satisfação aos protestos dos brasileiros que continuam movimentando milhares pelo Brasil a fora. O pleito principal, logo no início das passeatas, vem sendo contemplado em diversas capitais e cidades de grande e médio portes. São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas, Ribeirão Preto e vários outros municípios voltaram atrás nos aumentos que haviam sido concedidos para o transporte urbano ou então reduziram as tarifas. Menos em Franca, onde o prefeito Alexandre Ferreira faz uma verdadeira defesa da Empresa São José para congelar o preço da passagem que, mesmo assim, custa mais do que em Ribeirão Preto (R$ 2,80 contra R$ 2,75, respectivamente). No vizinho município, a prefeita Dárcy Vera baixou a tarifa duas vezes seguidas.

Além disso, em nível federal, a Câmara dos Deputados rejeitou anteontem por ampla maioria (430 votos favoráveis contra 9 contrários) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 37) que visava limitar o poder de investigação do Ministério Público. A votação foi antecipada por causa do ‘clamor das ruas’, como indicou o presidente da Casa, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Não fossem os protestos, a PEC vinha ganhando adeptos e poderia até ter sido aprovada. Afinal, era uma resposta ao Ministério Público cujas investigações culminam com processos envolvendo políticos com mandato em denúncias de corrupção e improbidade. Deve-se ainda pressionar mais, uma vez que ainda existe na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) uma proposta no mesmo sentido e que continua tramitando normalmente.

Já na madrugada de ontem a Câmara aprovou um projeto vinculando recursos da exploração do petróleo às áreas de educação e saúde e ampliando o montante a ser destinado a essas áreas com recursos de parte dos contratos em vigor. O governo foi derrotado porque desejava carimbar o dinheiro apenas para a educação e só destinava recursos de contratos futuros e de rendimentos do Fundo Social, criado no marco regulatório do pré-sal. A proposta será ainda analisada pelo Senado. A prioridade para a matéria foi pedida pelo governo, mas a negociação ampliou de forma significativa os recursos alvo da vinculação e incluiu a saúde entre as áreas prioritárias.

São três exemplos de que a pressão popular está funcionando, em que pese a infiltração de baderneiros nas manifestações. Espera-se que, a partir de agora, a população brasileira não se deixe ludibriar e continue alerta e atenta, buscando nas ruas as respostas às suas necessidades. Os políticos perceberam que correm o risco de não conseguir manter os mandados nas próximas eleições e estão fazendo tudo para que os eleitores não resolvam também fazer valer a sua insatisfação nas urnas. Aí, será a derrota total dos que, até hoje, atuam nos Poderes Executivo e Legislativo sem levar em consideração as necessidades do povo brasileiro.