08 de julho de 2026

Bomba de problemas


| Tempo de leitura: 3 min

Não é culpa sua. Você apenas quer ficar com o corpo daquele cara musculoso da novela ou daquela mulher torneada da capa da revista. Assim é o suposto ideal de beleza da sociedade e você quer apenas ser bonito/bonita. Porém, os efeitos da malhação não são tão visíveis, mesmo depois de um tempo levantando peso e suando como um condenado. Mesmo assim, você não vê os resultados, não se transforma naquilo que quer ser e, apesar de todas as melhoras de saúde, resolve apelar para outras forças. Escolhe um atalho tortuoso rumo aos tão sonhados músculos super definidos.

No começo, tudo dá certo. A fome de malhação aumenta consideravelmente, os músculos crescem rápido e muito, todos elogiam e a auto-estima sobe. Até que chega o dia que “ele” não quer subir mais. Você fica agressivo e quer espancar qualquer um por qualquer coisa. Isso só para ficarmos nos problemas mais comuns que o uso de esteroides e anabolizantes trazem para os homens. As mulheres ainda precisam lidar com o aumento de pelos e barba. Diante disso, vale mesmo a pena? Recentemente, todo o Brasil viu o que aconteceu com o Netinho, que abusou dos anabolizantes e foi parar na UTI em decorrência de problemas no fígado.

TERMOS TÉCNICOS
Antes de mais nada: esteroide e anabolizante. Existe diferença? “O termo ‘anabolizante’ significa substância que promove anabolismo, isto é, ganhos, crescimento. Já o termo ‘esteroide’ significa óleo solido”, explica Davi Oliveira, mestre em Promoção de Saúde na Unifran e membro do American College Sport Medicine Science. “Na realidade é tudo uma questão de conceito. A alimentação, o sono o descanso são considerados fatores anabólicos, ou seja, que promovem ganhos no organismo. Já os esteroides são compostos químicos originados do esterol que são produzidos no organismo. Entretanto o termo esteroide anabolizante é referente ao uso de medicamentos para melhora de resultados esportivos.”

‘DANGER’
Praticamente todos os tipos de substâncias com essa finalidade possuem efeitos colaterais intensos que variam de gênero para gênero. “Em ambos os sexos podem ocorrer diversos efeitos colaterais, tais como; cardiomegalia (aumento do tamanho do coração), acne (espinhas), aumento do colesterol ruim (LDL) provocando doenças cardíacas, retenção hídrica, calvície precoce, pele oleosa, hepatite, suor abundante nos pés e pernas, cirrose, comportamento agressivo, lesão renal, aumento da pressão arterial, esterilidade, ginecomastia (crescimento dos seios em homens) e vários outros”, cita Davi Oliveira. “Na mulher pode ocorrer alterações das características femininas, como alargamento do clitóris, crescimento irreversível de pelos e engrossamento da voz”. Isso sem falar na impotência sexual que é o efeito mais temido pelos machos.

Porém, apesar de extenso, esses são apenas os sintomas “normais” provocados por esse tipo de droga. De acordo com o docente, em alguns casos essas substâncias podem provocar cânceres, tumores hepáticos, atrofia dos testículos, infarto e acidente vascular cerebral e óbito.

Apenas exames laboratoriais são capazes de detectar a presença de anabolizantes no corpo de alguém.

‘NO PAIN, NO GAIN’
Por mais que você encontre mil coisas na internet e nas revistas que prometam inúmeras soluções fáceis para ter um corpo daqueles, a única maneira saudável de conseguir isso é suando. E olha que são necessários outros fatores para atingir esse objetivo. “São quatro fatores: a genética, o treinamento físico adequado, a nutrição balanceada e descanso. Para que se possa realmente ter um resultado significativo para sua saúde procure um profissional”, aconselha Davi.

O caminho não é fácil, mas também não é nada de impossível. E pense que, quando você chegar lá, “ele” estará de pé.