Um bebê de apenas um mês de idade morreu em circunstâncias suspeitas, na tarde de ontem, na Vila São Sebastião. Segundo a avó da menina, por volta das 13 horas, sua filha - que mora a poucas quadras de distância - bateu no portão de sua casa com a criança no colo e chorando muito. Após deitar a bebê no sofá da sala, a jovem (que é mãe do bebê) correu para a rua. A avó notou que a neta não respirava e pediu socorro através do telefone 193 (Samu). Uma unidade de suporte avançado, com um médico, tentou realizar os primeiros-socorros. A criança seria entubada, mas como havia hemorragia e rigidez cadavérica, o procedimento foi interrompido. A DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) assumiu o caso e aguardará resultado da necropsia para decidir se irá ou não instaurar inquérito criminal.
Os moradores da rua Batista Milani se aglomeraram em frente à casa onde estava o corpo da pequena Maria Paula. Sua avó, Ana Claudia Brandieri, de 43 anos, foi pega de surpresa com os gritos da filha Daniele Brandieri da Silva, de 23 anos. “Minha filha chegou com a menina no colo, dizendo que ela não respirava. Depois saiu correndo para rua”, disse a mulher reforçando que a neta, até então, tinha boa saúde. “Até ontem ela estava ótima.”
A Polícia Militar foi chamada pela equipe do Samu. O cabo V. Pedro colhia informações de populares, quando a mãe da criança voltou. Visivelmente transtornada e dizendo frases desconexas, a jovem tentou explicar para o policial o que havia acontecido com sua filha. “A mãe alega que, pela manhã, deu de mamar para a criança e adormeceu com ela sobre seu corpo. Quando acordou, tentou despertá-la, mas notou que a mesma estava fria. Foi então que pegou o bebê no colo e trouxe para a casa da avó”, disse o PM.
A criança apresentava um sangramento que saía da narina direita e escorria pelos olhos e testa. De acordo com a coordenação médica do Samu, o refluxo gastroesofágico (uma das primeiras hipóteses aventadas em casos de mortes de bebês) não é capaz de provocar sangramento nasal.
Dois investigadores da Polícia Civil foram acionados para recolher provas e disseram à delegada titular da DDM, Graciela de Lourdes David Ambrósio, que não encontraram nenhum indício de crime na casa da avó.
Como as causas da morte não ficaram claras, foi pedido um exame necrológico no IML (Instituto Médico Legal), que deverá ficar pronto hoje. “Somente depois de identificarmos as causas da morte, é que será possível afirmar se houve crime ou não. Até agora [ontem], tudo me leva a acreditar tratar-se de uma morte natural”, disse a delegada.
O marido de Daniele, pai do bebê encontrado morto, cumpre atualmente pena pelo crime de tráfico de drogas.