Conhecida por suas confusões políticas, Restinga foi ontem palco de uma manifestação que não empolgou a população. Os organizadores marcaram como ponto de partida a Casa da Agricultura na entrada da cidade. Mas no horário marcado, apenas 20 pessoas, a grande maioria crianças, estavam presentes.
Animado, o grupo que foi acompanhado por quatro carros cruzou a cidade fazendo muito barulho. Na porta das casas, as pessoas paravam para assistir aos manifestantes gritarem e cantarem. Nos cartazes, frases ofensivas contra o prefeito Paulo Pitt (DEM). O único grito de guerra era “Fora Pitt”.
Um dos poucos adultos presentes, o cabeleireiro e funcionário público municipal afastado, Ricardo Lucas, de 36 anos, disse que resolveu participar porque quer uma Restinga melhor. “O novo prefeito tem feito muita perseguição política. Eu mesmo me afastei por causa disso. Não podia mais ficar calado.”
Junto com o grupo, ao chegar em frente ao prédio da Prefeitura, Ricardo colocou cartazes na fachada e pregou rosas brancas feitas com papel. “Disseram que a gente ia promover um quebra-quebra geral. Não vamos. Nosso manifesto é pacífico. Não somos bandidos.”
Organizador do protesto, o técnico de informática Allan Valim disse que a ideia surgiu depois que ele esteve no protesto em Franca. “Eu me emocionei. Eu vivi aquela energia e quis trazer para Restinga”, disse.
Sobre a falta de adesão, Valim disse que já era esperado. “Aqui o clima está pesado. O prefeito fez várias reuniões com comerciantes e com servidores ameaçando eles. Mas não importa. O que importa é que fizemos nossa parte”, disse.
Paulo Pitt foi procurado em seu celular logo depois que o protesto acabou, mas ele não atendeu ao telefone.