Os cursos e oficinas da Unati (Universidade Aberta à Terceira Idade), um projeto de extensão da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Franca, se tornaram uma oportunidade para o encontro de gerações e troca de experiências. Desde a segunda semana de maio, alunos do curso de serviço social estão ministrando aulas para integrantes da Unati, que têm 45 anos ou mais.
Os jovens são professores das oficinas de informática (básica e intermediária) e de espanhol e inglês (ambas de nível básico). Já o curso de Memória e envelhecimento, dado pela própria coordenadora da Unati, a professora Nanci Soares, tem graduandos como estagiários. Todas as atividades oferecidas pelo programa são gratuitas (leia mais ao lado).
Apesar de ser um dos objetivos desde que a Unati foi criada, há 20 anos, o projeto de interação só se tornou realidade com a iniciativa dos próprios alunos. “Antes, alguns alunos já deram aulas esporadicamente, mas os professores eram principalmente os próprios docentes da Unesp e pessoas da comunidade. Nessa nova fase em que estamos, incentivamos o estudantes a darem aulas. Os de serviço social, um curso que sempre trabalhou com idosos, inclusive estavam pedindo mais contato com pessoas dessa faixa etária. Eles querem sentir quem é esse idoso, como eles vivem”, afirma Nanci.
“Com essa interação, os jovens terão mais afinidade para cuidar dos idosos. Mesmo com as oficinas tendo começado há pouco tempo, já existe uma relação de carinho e respeito entre as duas partes. O objetivo das aulas é valorizar mais o idoso, já que hoje há muito preconceito contra ele”, disse a coordenadora.
Até junho, havia cerca de oito participantes inscritos em cada oficina, com 18 participando do curso de memória. Um dos estudantes da oficina de informática é o motorista aposentado Olivio Costa, 67. Ele decidiu participar das atividades da Unati após parar de trabalhar. “Estou na estaca zero, não sei nada. A vida inteira eu não tive oportunidade, e, agora que me aposentei, quis arranjar uma ocupação”, disse ele.
Já para a comerciante aposentada Nilda Lopes de Miranda, 62, realizar a oficina é quase uma necessidade. “Tenho pavor de informática, mas chega uma hora que você se sente analfabeta. Como que você se comunica com as pessoas no mundo de hoje? Pela internet.” A iniciativa de conviver com pessoas mais jovens agradou os alunos das oficinas. “É muito legal conviver com os jovens. Eles têm a cabeça mais aberta, diferente dos mais velhos”, afirma a dona de casa Lúcia Vieira, 51, que quer aprender a usar o computador para se comunicar com amigas que moram no exterior através das mídias sociais.
A paciência é um dos pontos destacados por uma das alunas-professoras de informática, a estudante do primeiro ano de Serviço Social, Letícia Correa, 18. “Precisamos apoiá-los da melhor maneira possível, porque alguns não têm noção do que é um computador. Gosto de ensinar. Por eles terem muito a ensinar pela sua experiência de vida, essa convivência está acrescentando bastante, tanto no pessoal quanto no profissional”, disse Letícia. Como os alunos da Unesp estão em greve desde o dia 3 de junho as aulas da Unati estão suspensas.