A um ano do fim do prazo estipulado pelo governo estadual para que as usinas de cana-de-açúcar adotem máquinas para a colheita, as quatro usinas da região de Franca, situadas em Patrocínio Paulista, Batatais, Buritizal e Igarapava, já estão com mais de 90% dos cortes mecanizados. Segundo dados da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, a região de Franca, com 73,2% da colheita feita sem queima, é a sexta -de uma lista com 11 - com o maior índice de colheita mecanizada no Estado, ficando acima da média estadual que é de 72,6%.
Em 2002 o governo do Estado de São Paulo estabeleceu uma série de regras determinando que as usinas deixem de queimar a palha da cana como forma de facilitar o corte manual. O prazo concedido para elas aderirem ao maquinário vence em 2014. O objetivo é reduzir o impacto ambiental, com os danos provocados à fauna e flora, e também à saúde (problemas respiratórios). O fogo somente poderá ser utilizado até 2017 e em áreas onde a topografia não permite a colheita mecanizada.
Na região, a Usina Batatais é a mais adiantada. Faltando um ano para terminar o prazo, tem praticamente toda colheita mecanizada. Atualmente, são 60 mil hectares de área plantada. Além do município de Batatais, integram a área de plantações Restinga, São José da Bela Vista, Nuporanga, Franca, Cristais Paulistas e Altinópolis. Na última safra, a moagem foi de 3,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.
Para a diretoria da usina, apesar da necessidade do período de adaptação à mecanização, com a preparação dos canaviais e capacitação da mão de obra, há vantagens em usar esse método pela questão ambiental, financeira e qualificação profissional dos funcionários.
TREINAMENTO
Ao adotar as máquinas, as usinas tiveram que se adaptar e treinar os trabalhadores para atuar com os equipamentos. Em Batatais, a requalificação dos funcionários é realizada pela própria empresa em parceria com órgãos e projetos, como o RenovAção, da Unica (União da Indústria Sucroalcooleira).
Outra a mecanizar o corte na região é a Usina Buriti, que administra 37 mil hectares de plantação de cana e onde 92,8% da colheita é feita com máquinas. Segundo a assessoria de imprensa, a usina se prepara para que na safra deste ano a mecanização chegue a 95,6%. As primeiras máquinas chegaram ainda em 1995. A decisão foi tomada após a direção da empresa avaliar como vantajosa a opção de inserir o maquinário principalmente pela produtividade que proporciona.
Em Igarapava, a mecanização também teve início bem antes da determinação do governo. As primeiras colheitadeiras começaram a ser usadas no fim de 1990. Atualmente, o Grupo Raízen trabalha com 90% de mecanização na colheita da cana nos 44.739,33 hectares de plantação. “No processo mecanizado, a palha da cana é mantida e é considerada um importante material orgânico. Parte do carbono contido nela vai sendo incorporada ao solo, ou seja, deixa-se de mandar carbono para atmosfera”, disse Valdair de Lima, coordenador administrativo da Unidade Junqueira da Raízen.
PERÍODO DE SAFRA
A Usina Cevasa, em Patrocínio Paulista, deu início à safra 2013 no dia 4 de abril, com previsão de concluir até 30 de novembro. A produção deste ano deve atingir 2,5 milhões de toneladas contra 2,1 milhões no ano passado. Aproximadamente 35% desta cana está plantada no município de Patrocínio Paulista e o restante em municípios vizinhos, como Restinga e Batatais. Atualmente 75% da moagem total é mecanizada.
A diretoria da usina ressalta que a colheita mecanizada elimina a queima da cana, promove a cobertura de palha no campo (adubação e proteção do solo), além de exigir a capacitação dos funcionários, o que deixa os salários mais altos. Por outro lado, os principais desafios são quanto ao alto investimento na compra e manutenção dos equipamentos. A formação dos funcionários é realizada em parceria com Sindicatos Rurais e Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural).