08 de julho de 2026

Os que não nos representam


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Uma minoria de vândalos arranhou a bela demonstração de civilidade e cidadania em Franca

O brasileiro tem acompanhado estarrecido a ação de grupos de vândalos que aproveitam as manifestações que se multiplicam pelo Brasil para barbarizar, depredando prédios públicos e particulares, promovendo quebra-quebra e saques em lojas e protagonizando cenas deprimentes nos últimos dias. Ontem, em Franca, não foi diferente. Após a finalização da passeata ordeira dos francanos, um grupelho de vândalos resolveu tomar o centro da cidade de assalto e causou uma série de prejuízos a lojas e bens públicos. Não fosse a ação segura da Polícia Militar, que deve ser destacada, algo pior poderia ter acontecido. Valendo-se de bombas de gás lacrimogêneo, os policiais conseguiram, depois de algum tempo, retomar a ordem, mas ficou para trás um rastro de destruição como o visto também em outras cidades do País.

A passeata em si aconteceu como aconselha a cartilha do civismo e da civilidade: milhares de cidadãos francanos, multidão estimada entre 5 mil e 10 mil, realizaram ontem a primeira grande manifestação para protestar contra a classe política brasileira e contra muitos outros itens de uma lista que o jornal Comércio da Franca exibiu em sua capa, nesta quinta-feira, reproduzindo a insatisfação popular. O ato, que marca a história de Franca, consistiu em uma caminhada pelas principais ruas do centro da cidade, saindo de uma das praças centrais, passando pela Prefeitura, pela Câmara Municipal e pelo viaduto ‘Dona Quita’, terminando de forma pacífica.

As ocorrências violentas do centro são lastimáveis, mas todos sabem que seus autores não nos representam enquanto voz cívica. De forma ordeira, o francano deu provas de que acompanha a indignação nacional contra o verdadeiro descaso com o qual o cidadão é tratado no País. Agora, com estes protestos, a voz do povo se faz ouvir e grita a sua insatisfação, o seu descontentamento, a sua raiva, num verdadeiro recado aos políticos.

Os protestos, que começaram em São Paulo contra o aumento no preço do transporte público, espalharam-se pelo País e seus participantes, hoje, levantam uma série de bandeiras, a maioria delas numa postura crítica contra a classe política brasileira. O que ocorreu em mais de trezentas cidades do País mostra bem que os atos não aceitam matiz partidário e deveriam servir para que as nossas autoridades se conscientizassem de que a população já cansou dos rumos pelos quais o Brasil envereda. O povo francano repudia peremptoriamente a ação dos vândalos que se aproveitaram da ocasião para expor sua sanha destruidora. A cidade entrou de vez nesta verdadeira cruzada pela ética e pela legalidade, mostrando que também por aqui as coisas nunca mais deverão seguir como antes.

A partir de agora, antes de qualquer decisão, a vontade popular terá que ser levada em conta. Sob pena de que, tal não ocorrendo, estes protestos se mantenham vivos. O Brasil deve começar a caminhar rumo a um modelo de sociedade mais justa, onde os recursos sejam usados em favor da população e não, como vem acontecendo, em favor dos políticos que há muito tempo não estão mais representando o povo do bem. São como os vândalos, espécie à qual também parecem pertencer, sob forma mais sofisticada de ação.