08 de julho de 2026

Exemplo para o país


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Franca se antecipou e lançou onda de protestos há um ano, contra abusos

Quatro de julho de 2012, 17 horas. Enquanto o País dormia em berço esplêndido, grupo de cerca de 70 pessoas, formado por estudantes, representantes de partidos políticos e grupos de esquerda, ocupou o Terminal “Ayrton Senna” para protestar contra o aumento da tarifa de ônibus da empresa São José. Dias antes, a passagem havia saltado de R$ 2,65 para R$ 2,80. A diferença de R$ 0,15, menor que os R$ 0,20 que acordaram os paulistanos, fez com que os manifestantes francanos formassem corrente em frente a ônibus estacionados e fechassem o trânsito das ruas Ouvidor Freire e General Telles. O fluxo de veículos travou. Carregavam faixas e cartazes com dizeres como “R$ 2,80 é roubo”, “Fora São José”, “Transporte é direito, não mercadoria”. Em paz, sem violência.

Os ecos do protesto não foram ouvidos pelas autoridades. Uma semana depois, os manifestantes voltaram a ocupar o Centro e marcharam até a Prefeitura. Queriam uma justificativa do então prefeito Sidnei Rocha (PSDB) para o reajuste. Entoaram gritos de ordem com megafone, mas sem causar nenhum dano no local. A Polícia Militar apenas acompanhou as ações do grupo sem qualquer reação. O grupo permaneceu por duas horas no corredor que dá acesso ao gabinete do prefeito. Não foram atendidos. Em 17 de agosto os manifestantes retornaram à Prefeitura para novo protesto. Reivindicavam redução do preço das passagens, passe livre para desempregados e estudantes, melhores condições de atendimento ao usuário com deficiência e a municipalização do serviço de transporte. Naquele dia, a borracha cantou, o choque ardeu.

A Guarda Civil foi avisada sobre o protesto e bloqueou os portões de acesso ao Paço. Os jovens tentaram entrar à força e os guardas disparam suas armas de choque contra alguns manifestantes, entre eles, uma jovem deficiente visual. Após o embate, os manifestantes recuaram e chamaram um advogado para intermediar a situação. O secretário de Segurança, Sérgio Buranelli, afirmou que o protesto foi além dos limites e poderia atrapalhar o funcionamento da prefeitura. Boletim de ocorrência por abuso de autoridade e lesão corporal foi registrado na polícia.

Um ano se passou. A São José protocolou novo pedido de reajuste. O valor é mantido em sigilo. Segundo fontes da Prefeitura, a empresa quer algo em torno de R$ 4. Por menos, o pau quebrou em São Paulo e uma onda de protesto semelhante à germinada em Franca há um ano se alastrou pelo Brasil.

Se tiver um mínimo de sensibilidade política e um pouco de bom senso, Alexandre Ferreira (PSDB) vai ignorar o pedido da São José e ficar ao lado do povo. A massa já deu mostras de que não aguenta mais tanto abuso. Mesmo sem ter dado qualquer sinal de que atenderá a reivindicação da concessionária do transporte público, o prefeito sabe que prefeitura, como a Câmara, estará na rota dos manifestantes hoje. A Guarda Civil e a Polícia Militar já foram avisadas para ficarem de prontidão.

TIRO NO PÉ
Muitos vereadores, certamente, não sabiam o que estavam votando. Se sabiam, ignoraram a força do protesto que se arrasta pelo País e ganha repercussão mundo a fora. Sem votos contrários e discussões, foi aprovada em poucos segundos Moção de Aplauso à PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 37, que tira o poder de investigação criminal do Ministério Público, limitando a competência à Polícia Civil e à Polícia Federal. Apresentada pelo vereador Daniel Radaeli (PMDB), delegado de polícia, a moção significava um elogio público da Câmara Municipal de Franca à PEC que é motivo de repúdio das centenas de milhares de manifestantes que ocupam as ruas do Brasil.

BATEU EM RETIRADA
Com a intensa repercussão negativa que a proposta de elogio à PEC 37 gerou em Franca, Radaeli voltou atrás ontem, retirou a moção e reiterou o seu apoio às manifestações pacíficas. “Precisamos de um Ministério Público e de uma polícia judiciária fortes, com garantias e sem interferências políticas e, mais do que nunca, unidos em prol do bem comum”.

EXPERIMENTANDO DO VENENO
Estacionamento da Câmara Municipal reservado ao público oferece quatro vagas para deficientes e idosos. Em dias de sessões e eventos, os espaços sempre são ocupados indevidamente. Com base na lei aprovada terça-feira, o presidente Jépy Pereira (PSDB), autor da lei e responsável pela casa, poderá ser multado, certo?

CASAMENTO ROMPIDO
Se havia alguma dúvida sobre o fim da lua de mel entre Sidnei Rocha e Alexandre Ferreira, agora não há mais. O ex-prefeito foi visitar a Câmara na sessão de anteontem. Numa roda de vereadores e jornalistas, fez críticas ao afilhado político. Teve o cuidado de pedir que alguns comentários não fossem publicados. Mas não fez restrição a um conselho. “Ter conhecimento técnico não basta. É preciso ter jogo de cintura político e saber administrar vaidades”. À noite, quando Alexandre chegou à festa de inauguração promovida pela Rizzatti, Sidnei saiu logo em seguida. O comentário sobre o clima pesado foi geral. Dizem que a gota d’água para o clima azedar entre os tucanos teria sido a Expoagro

OU ELE OU EU!
Não convidem para o mesmo almoço os vereadores socialistas Luiz Vergara e Cordeiro. Vergara se irritou com o colega, presidente do diretório do PSB, por ele não ter apoiado projeto seu que previa o pagamento do piso salarial de professor aos educadores de creches. Vergara ligou para o deputado Ubiali, cacique do partido, e pediu para que Cordeiro seja afastado da presidência. Caso contrário, ameaça deixar a legenda.

Edson Arantes
Jornalista – edson@comerciodafranca.com.br