A onda de manifestações que invadiu o Brasil chegou a Franca. Na Capital do Calçado, o evento organizado pela internet possuía, até o fechamento desta edição, a confirmação de 11.403 pessoas. O protesto local acontecerá nesta quinta-feira, a partir das 17h30. O ponto de encontro será a rua Marechal Deodoro, em frente à boate Montana, no Centro. “Se pelo menos metade [dos que confirmaram presença pela internet] aparecer, já está passando de bom”, disse a criadora da página, a estudante Danyelle Maschio.
No início da noite de ontem, as pessoas que organizam o evento em uma rede social da web se uniram a outros manifestantes na Concha Acústica da praça Nossa Senhora da Conceição, com o objetivo de organizar o ato, discutir a pauta de reivindicações e confeccionar os cartazes que serão usados durante o protesto.
O “Ato Contra o Aumento do Custo de Vida e Tarifas Abusivas” também definiu o roteiro que fará amanhã: saindo da boate Montana, ao lado dos Correios do Centro, passando pela Prefeitura e Câmara Municipal, terminando no viaduto “Dona Quita”.
Durante as discussões, vários manifestantes expuseram suas ideias e deixaram claro que o ato é contra qualquer tipo de violência e conflitos com a PM. Mas os ânimos se exaltaram quando alguns tentaram expor suas preferências partidárias. Um rapaz tentou argumentar sobre a importância dos partidos, e foi calado por uma sonora vaia. “Só quis expor minha opinião”, explicou.
ALVOS
Dentre as diferentes reivindicações das manifestações por todo o Brasil, os organizadores do protesto local definiram que o valor da tarifa cobrada pela São José, empresa responsável pelo transporte público em Franca, e a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 37 serão as principais pautas do movimento.
A São José enviou recentemente uma proposta de reajuste da tarifa à Prefeitura, que pode ou não aceitar. O Comércio apurou que o pedido da empresa é para que o valor da passagem suba de R$ 2,80 para cerca de R$ 4. “A São José cobra um preço abusivo pela tarifa, muito maior daquele que é cobrado em cidades do mesmo porte”, argumentou o estudante Vinicius Alves de Melo, 20.
Já a PEC 37, chamada de “PEC da Impunidade”, garante que o poder de investigação criminal seria exclusivo das polícias Federal e Civil, retirando esta atribuição do Ministério Público.
Na contramão dos manifestantes, a Câmara de Franca aprovou, ontem, uma moção de apoio à proposta.
RESPEITO
A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Franca enviou uma nota oficial à imprensa para “conclamar as autoridades a respeitar o direito de livre manifestação e impedir o uso excessivo de força policial”. A entidade também solicita que os manifestantes prossigam de modo pacífico, respeitando o patrimônio público e privado.
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