08 de julho de 2026

Bolo de fubá & quentão


| Tempo de leitura: 3 min

“Bolos são uma manifestação física da alegria.”
Dulf Goldman confeiteiro que apresenta um reality show na TV americana


De origem milenar, o bolo continua vivo nos cardápios de todos os povos. Desde tempos arcaicos esteve aliado a comemorações. Dizem os mitólogos que surgiu entre os gregos antigos como homenagem a Artemis, deusa da caça. Já ostentava velas, não para contar anos vividos, mas para representar o luar. Na mitologia grega, a luz da Lua era um dos recursos de Artemis para proteger a Terra.

Na Idade Média o costume atravessou o mar Egeu e ganhou a Turquia, onde se revestiu de novo perfil, o de alimento que reunia mel e frutas secas, podendo ser armazenado para consumo no inverno. Dali migrou para a Alemanha como um dos mimos das Kinderfest, celebrações em torno das crianças. Aos poucos o bolo ocupou as mesas do mundo. Hoje, ao lado do pão, deve ser um dos alimentos mais democráticos na face do planeta. Feito com ingredientes simples ou incrementado com especiarias, é encontrado desde conceituadas confeitarias vienenses às mais prosaicas vendas brasileiras de beira de estrada. Se já não compõe cardápio de deuses olímpicos, continua incólume na apreciação das crianças e celebrações de aniversários.

A escolha de um bolo para esta e as próximas duas edições da página obedece a um motivo específico. Junho é mês especial para os que trabalham no GCN e para os que acompanham como leitores o noticiário do Comércio da Franca. A cada ano, em todo dia 30, comemoramos a existência, o vigor e a relevância de um jornal que está agora pertinho de seu centenário. No último domingo deste mês vamos celebrar os 98 anos de sua presença na vida da comunidade francana. Ao bolo de fubá, ícone culinário das festas juninas, vão se seguir o de mexerica, pois a safra está mais do que nunca olorosa; e o de cenoura, muito apreciado pelas crianças brasileiras. Todos estarão convidando a cantar “Parabéns” ao Comércio.

O brasileiríssimo bolo de fubá, identificado às nossas raízes culturais, elaboração portuguesa a partir de ingrediente básico da dieta africana, tem muitas versões. Uns são mais secos; outros ficam úmidos. Há os bem simples e os que acolhem erva-doce, canela ou pedacinhos de goiabada. Tem os que lembram bom-bocado de espessura fininha e os feitos com massa cozida e depois assada. Enfim, dezenas de fórmulas, todas de resultados deliciosos. A nossa é conhecida como bolo cremoso. Peneire numa tigela fubá, farinha, açúcar. Reserve. Bata por três minutos no liquidificador leite, ovos, manteiga, sal. Despeje a mistura líquida sobre a seca e mexa. Reúna o queijo e, por último, o fermento. Despeje a massa (que fica bem mole) em forma untada e polvilhada com farinha. Forno a 180 graus por 35 minutos aproximadamente. Não descuide. Ao dourar, teste com palito e retire. Se assar demais ficará seco.

Enquanto o bolo estiver assando, prepare o quentão. Faça um caramelo com meia xícara de açúcar cristal. Junte gengibre, rodelas de limão, paus de canela, cravos-da-Índia. Acrescente água. Ferva até o ponto de calda rala e junte a cachaça. Sirva o quentão com uma fatia de bolo: foram feitos um para o outro.


Ingredientes

4 xícaras de leite
4 ovos (de preferência caipiras)
2 colheres (sopa) de manteiga
1 pitada de sal
1 ½ xícara (chá) rasas de açúcar
1 ½ xícara de fubá
2 colheres (sopa) de farinha de trigo
100 gramas de parmesão ralado
1 colher (sopa) de fermento em pó

Quentão
½ xícara de açúcar cristal
3 fatias de gengibre, 3 rodelas de limão, 3 paus de canela,
3 cravinhos-da-Índia
3 xícaras de água e 1 de pinga (ambas de chá)