Eles têm a missão de preservar a memória local e dialogar com o passado. São chaves para entender o cenário contemporâneo da comunidade, além de representarem um espaço para a divulgação da arte. Apesar de sua importância, os museus públicos de Franca sofrem com a falta de interesse do público e também de espaços adequados para a exposição e conservação de objetos.
A Feac (Fundação de Esporte, Arte e Cultura) administra três museus na cidade: o Museu Histórico Municipal “José Chiachiri”, a Pinacoteca Municipal “Miguel Ângelo Pucci” e o MIS (Museu da Imagem e do Som).
O maior deles é o Museu Histórico, com aproximadamente 4 mil peças, e é também o que mais apresenta problemas. O prédio, localizado na rua Campos Salles, 2.010, no Centro, precisa de reparos - ele não passa por uma reforma geral desde 1991. O prédio também não conta com acessibilidade. “Cadeirantes não têm como entrar no museu, é um caso sério. Recebemos duas pessoas especiais na Semana dos Museus de 2012, mas conseguimos subi-los para assistir às palestras. Na Semana dos Museus deste ano, não veio nenhum. Acho que eles sentiram a dificuldade e não participaram este ano”, afirma a diretora do Museu, Margarida Pansani.
Segundo ela, uma das principais carências do Museu é uma reserva técnica - local que possui condições climáticas (como refrigeração e desumidificação) e de segurança adequadas para garantir a durabilidade e integridade das peças. É nesse local em que ficam armazenadas peças quando não estão em exibição. “Noventa por cento do acervo está em exposição. Com isso, o espaço do Museu está pequeno até para a locomoção de visitantes e a realização de cursos. Sem a reserva técnica, também não aceitamos mais doações. Não está cabendo mais. Estamos encaminhando [as doações] para museus da região. Faltam recursos, a cultura tem que ser mais valorizada”, completa.
MIS
O “José Chiachiri” pode possuir os seus problemas, mas pelo menos ele conta com espaço próprio. Já o MIS e a Pinacoteca precisam se contentar em dividir o mesmo prédio, também na rua Campos Salles. No local, também funciona a Feac. Os dois museus também carecem de reserva técnica, o que trava o potencial das instituições. “Precisamos de reserva para fazer manutenção de equipamentos e mostrar aos visitantes como eles funcionam. Gostaria que a pessoa entrasse no MIS e no ambiente musical da década de 1950, se houvesse um espaço próprio para o Museu. Por falta de espaço físico, também tenho uns 30 equipamentos armazenados”, diz o diretor Luís Carlos Barsotelli.
Ele também considera a baixa a visitação mensal de 300 pessoas ao MIS. “As pessoas não dão muita bola para a cultura. O MIS necessita de que o público doe material fotográfico. Nosso foco é garimpar e preservar a história da cidade, através de fotos de casas, prédios e logradouros em geral.”
PINACOTECA
Já o acervo da Pinacoteca, que inclui telas e esculturas, passa por um processo de catalogação, já que, até o ano passado, o conjunto estava exposto no local de forma desorganizada. “Estamos catalogando todas por ordem alfabética e separando por modalidades. Quando finalizarmos esse trabalho, quem visitar a Pinacoteca vai saber o que é obra, que técnica foi utilizada para executá-la e em qual escola ela está classificada”, afirma o gerente em Arte e Cultura da Feac, Jô Ribeiro.
Ele afirma que um local adequado para a Pinacoteca está sendo procurado pela Feac. “Pensamos num bom futuro para os museus, com locais adequados para exposições e reserva técnica.”
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