09 de julho de 2026

Pacientes reclamam da falta de remédio


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No Centro de Saúde da rua Ouvidor Freire, um cartaz anunciava na última quinta-feira cinco medicamentos em falta

É comum faltar medicamentos na rede pública de Franca. A informação é dos próprios usuários do SUS (Sistema Único de Saúde), que dizem ser obrigados frequentemente a comprar em drogarias os remédios que deveriam ser fornecidos gratuitamente pela Prefeitura.

Na manhã da última quinta-feira, uma folha de papel sulfite afixada no Centro de Saúde da rua Ouvidor Freire, no Centro, anunciava que cinco medicamentos estavam em falta: Alopurinol 300 mg (para tratamento de níveis elevados de acido úrico); Bromazepam 6 mg (ansiolítico); Haloperidol 2 mg (antipsicótico); Losartan 100 mg (anti-hipertensivo) e Polivitamínico em gotas (complemento vitamínico). Um outro cartaz anunciava que os remédios “provavelmente” só seriam disponibilizados por volta do próximo dia 19.

Um dos pacientes que procurou o Alopurinol, para tratar a sua “gota”, e não encontrou foi o diretor de Recursos Humanos aposentado Jurandir de Lima, 75. Ele utiliza o remédio há cinco anos. “Não fiquei surpreso com a falta, porque isso acontece. Eles compram uma quantidade [de remédios] que não dá para suprir as necessidades. Agora, já que não tem, vou ter de comprar o remédio.”

Mesmo os usuários do SUS que conseguiram seus remédios na última quinta-feira afirmaram que já passaram por esse problema anteriormente. E mais de uma vez. É o caso da dona de casa Sueli Reis, 50, que costumeiramente não consegue retirar medicamentos para depressão, como a Amitriptilina. “O remédio chega na quinta-feira e, na segunda, já acaba. Na semana passada, vim na terça-feira e já não consegui a Amitriptilina. Já perdi várias viagens por causa da falta de medicamentos.”

Outro medicamento que costuma faltar é a Sertralina, também para depressão, segundo a dona de casa Geny Tasso, 77. O sapateiro aposentado Durval Lombardi de Sousa, 60, completa que já passou pela situação de não achar medicamentos calmantes em nenhum órgão municipal. “Já gastei R$ 600 em remédios por não encontrá-los.”

Apesar da reclamação dos usuários e do próprio cartaz fixado no posto do Centro, a secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, afirmou via e-mail que não há falta de medicamentos nas unidades públicas de saúde.

Ela informou ainda que a Secretaria não ordenou a fixação do cartaz. “Houve um equívoco por parte do servidor [da Prefeitura] que, sabendo da falta do medicamento, não solicitou a reposição em nosso estoque na Central de Abastecimento. Nos comprometemos a averiguar tal atitude através da abertura de sindicância interna.”

Rosane acrescentou que as demandas por remédios são “devidamente controladas, mediante o consumo histórico de cada item”. É a partir deste consumo que as compras são programadas.

A Prefeitura investe, anualmente, R$ 4,8 milhões na compra de medicamentos, o que equivale a 61,7 milhões de unidades distribuídas.