Anos 70. O Quinto Ginásio de Franca - que ainda não se chamava Mário D’Elia - começara a funcionar pelas manhãs e em algumas tardes no recém inaugurado espaço da Faculdade de Direito de Franca, tão logo saíra do antigo prédio do Sanatório, fundos da Santa Casa de Franca. Turma jovem e animada de docentes, como Ana Amélia de Figueiredo, Martha Campos, Luísa Marson, Lúcia Helena Maníglia, Fidélis - de Uberaba - e Gonzaga José, entre outros, tinha como líder a grande Odette Ribeiro. Idealistas, faziam reuniões às segundas-feiras, antes do horário letivo que começava às sete da manhã. Não recebiam qualquer adicional por esse trabalho: o salário, compensador, justificava o gesto de desprendimento. Da turma dos alunos da época, entre eles Fernando Luz, Wilson Maníglia, Gilson de Souza, Gisele Lemos, Raul Garcia, Ovídio Andrade, Mauro Jacintho e Carlos Lemos sairiam médicos, dentistas, grandes homens, grandes mulheres, um padre e até um deputado estadual. Todos os sábados, as duas últimas aulas da semana eram dedicadas ao lazer. Os professores ensinavam de dança a teatro. O aluno mais interessado em aprimorar a dança, área na qual se destacava, era o garoto Ovídio. Num mês de junho prepararam a tradicional reunião com direito a quadrilha; chá de gengibre, cravo e canela; pipoca, paçoca e animação. Ovídio pegou sua professora de matemática, dançou com ela até o sol se pôr a prumo - a festa era das dez ao meio dia. A foto registra ambos em momento misto de alegria, descontração e respeito. Naquele tempo alunos não agrediam professores, professores não se sentiam ameaçados por pais e famílias deles. Professores eram exigentes, sem medo de acusações de rigor excessivo, tinham salário digno e alunos tinham tanto limites quanto educação ‘de berço’.
(Lúcia H. M. Brigagão)