Não são meus os meus órgãos
Meu figado se deturpa
E meu coração não me obedece
Eu corro sem querer
Derrubo o copo com água estando tão sedenta
Choro em casamentos
Dou gargalhada em velórios
Erro o saque e a cesta
Troco o til com acentos
Falo as palavras erradas na hora errada
Não quero enrugar a testa, mas não consigo
Não quero o sorriso amarelo, mas ele pinta
Não quero ficar vermelha, mas só de pensar já fico
Sou trans
Parente
Lúcida
Louca
Não tenho graça
Não tenho mistério