08 de julho de 2026

Silêncio preocupante


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Paira um verdadeiro silêncio em torno do destino do secretário da Administração, Wilson Teixeira, cuja condenação por improbidade administrativa foi confirmada pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Uma semana após o Comércio e a rádio Difusora noticiarem o fato, o prefeito Alexandre Ferreira cala-se e mantém-se estranhamente alheio, ‘empurrando com a barriga’ a única decisão que o caso exige: a demissão do auxiliar. Contrariando tudo, o prefeito prefere ignorar que existe uma lei municipal que aplica os critérios da Ficha Limpa a todas as nomeações para cargos públicos de confiança em Franca.

Além de deixar transparecer novamente uma indecisão que não cabe a quem se dispõe a comandar uma cidade do porte de Franca, Alexandre Ferreira ainda desafia a decisão judicial e atrai, com isso, o posicionamento do Ministério Público: o promotor Paulo Borges (responsável pelo inquérito que resultou na condenação de Wilson Teixeira) já lhe enviou notificação questionando quais providências foram tomadas neste caso. O caso é que o secretário foi condenado por usar o cargo em benefício próprio, além de já enfrentar outro processo em que é acusado pela promotoria de participar de um suposto esquema de fraude e superfaturamento.

O prefeito corre o risco de até ser responsabilizado pela Justiça ao tentar evitar a exoneração do assessor. Como já diz a velha assertiva, não se discute uma decisão judicial; ela deve ser cumprida. Agora, Alexandre Ferreira nem discutindo está: faz-se de morto, como se não fosse com ele, quem sabe esperando que o assunto seja esquecido, poupando Wilson Teixeira da degola inevitável. A atitude teimosa do chefe do Executivo acaba configurando uma verdadeira afronta ao francano que o elegeu para dirigir os destinos do município por quatro anos. Ele se mantém calado. Sua última manifestação deu-se na semana passada, quando elogiou o auxiliar, por conduzir ‘de forma extraordinária’ a Secretaria de Administração.

Deve-se lembrar de que a lei da Ficha Limpa só tomou corpo e foi votada, aprovada e sancionada depois de uma grande movimentação popular que envolveu todo o Brasil, exigindo moralidade dos ocupantes de cargos públicos. Com certeza, nenhum outro administrador trataria o assunto com a mesma condescendência de Alexandre Ferreira, diante do perigo de sair totalmente queimado do episódio. Embora procure protelar, o prefeito só tem uma saída e dela não terá como fugir.

A exoneração do secretário Wilson Teixeira, que já deveria ter ocorrido, não pode mais ser adiada, sob o risco de causar transtornos incontornáveis à administração municipal. O prefeito brinca ao ignorar a sua própria situação, pois o episódio pode acarretar prejuízos indeléveis à sua imagem, cujas proporções podem ser devastadoras e esbarrar na própria permanência de Alexandre à frente do Executivo Municipal.