O 1º Conselho Tutelar de Franca e a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) iniciaram ontem os procedimentos para apurar denúncia de maus-tratos contra uma menina de 9 anos. Os suspeitos de agressão são a mãe e o padrasto que residem no Jardim Aeroporto I. A denúncia partiu da direção da Escola Estadual “Professor Júlio César D’Elia”, no Jardim Alvorada. Por medida de segurança e proteção, a estudante está sob a guarda provisória de familiares. O local não foi divulgado.
A menina, que estuda no período da tarde, ao chegar na escola ontem chamou a atenção de todos logo na entrada. Ela tinha hematomas diversos nos braços e nas pernas. Uma funcionária do estabelecimento, que levou a criança a uma sala para conversar, constatou ainda sinais nas costas. Após relatar que teria sido agredida pela mãe com um chinelo, a direção da escola acionou o Conselho Tutelar.
“Ela tinha hematomas, possivelmente, ocasionados por chineladas. Havia sinais nos braços, nas pernas e nas costas”, disse o conselheiro tutelar Ilton Sérgio Ferreira, que esteve na escola atendendo a ocorrência. Segundo ele, a menina, durante a conversa, relatou que o padrasto também estaria envolvido. “Se fossem algumas chineladas, como é comum atendermos, a mãe receberia uma advertência. Como há indícios de crime, o caso foi encaminhado à DDM, onde foi registrado e a requisição de exames para a realização do corpo de delito expedida”, disse Ferreira.
A delegada Graciela Ambrósio, titular da DDM, solicitou do IML (Instituto Médico Legal) atenção especial ao caso e deve receber hoje o laudo com os resultados do exame de corpo de delito. “Os exames poderão indicar a gravidade das lesões e vai depender do grau destas lesões para sabermos as medidas que serão adotadas e em qual artigo da lei poderá ser enquadrado o autor ou autores”, disse a delegada.
Independente do “grau”, como houve o registro de maus-tratos, Graciela abrirá inquérito para apurar responsabilidades. “A primeira providência será ouvir a criança e possíveis testemunhas. Ela ainda passará por avaliação com uma psicóloga e, somente após esta primeira fase, é que a mãe, que aparece na ocorrência como autora, e, se comprovado, o padrasto, como adiantou o conselheiro, prestarão depoimento”, afirmou a delegada.
‘MENINA MEIGA’
O conselheiro Ilton Ferreira, que manteve contato e conversou com a criança, disse que ela é muita magra e uma “menina meiga”. “Ela fala com naturalidade e maturidade. Não esconde o medo de voltar para a casa e ser repreendida”, revelou Ferreira que, por medida de segurança, entregou a guarda provisória para um parente. Os motivos da agressão não foram revelados pala vítima. “Vamos nos aprofundar no caso junto com a DDM para tentar saber o motivo das agressões.”
A mãe, que não teve a idade revelada, foi comunicada pelo Conselho que a filha seria encaminhada para o registro da ocorrência na DDM. Ela disse que as “chineladas” foram aplicadas na noite de quarta-feira, mas que teria sido a primeira vez. “Não foi o que apuramos. Há relatos de que este tipo de agressão seria constante. Por este motivo, a necessidade de aprofundarmos no caso”, adiantou Ferreira.