No próximo dia 15 de junho, às 15 horas, no Centro Médico, se realizará mais um Cinema e Psicanálise. Será exibido o filme Na natureza selvagem, de 2007, dirigido e escrito por Sean Penn, baseado em fatos reais e em livro homônimo, escrito por Jon Krakauer.
Ganhador de vários prêmios como melhor filme de Gotham Awards, melhor ator de Mile Valley Film Festival e melhor canção (Guaranteed) do 65º Globo de Ouro, entre outros prêmios e indicações.
Jovem, talentoso e sensível, Chris Maccandless decide viajar pelos Estados Unidos após o término da universidade. Toda a sua história, os lugares por onde andou, e seu sonho de viver no Alasca Selvagem é estoriada no filme por sua irmã Carine. A vida hipócrita e aburguesada dos pais, um casal de sucesso em consultorias, é retratada por ela como motivo para os problemas existenciais de Chris Maccandless.
Parafraseando Thoreau: “Em vez de amor, dinheiro, fé, fama, equidade, dê-me a verdade.” Chris cita este pensamento para o hippie Rainey - que encontra durante sua perambulação - e ele realmente procura pela verdade, mas não se questiona. Talvez não conheça qual é a verdade que realmente nos importa, a qual estamos o tempo todo em busca de resposta. Ele pensa que a verdade de sua vida está em sua vida familiar, no desacerto dos pais, e se lança ao mundo de uma forma a repudiar sua vida familiar.
Chris Maccandless procura a si mesmo no mundo concreto, na natureza selvagem, se transformando em outro personagem, Alex Supertramp. Por dois anos, vagueia na pele deste novo personagem, um superandarilho, queimando sua antiga identidade para se tornar um outro que dê mais sentido à sua existência. Agarra-se a aspectos mentais selvagens, primordiais que existem em todos nós e sua consistência repousa em viver uma ilusória unidade com a natureza, encenando nossa ancestralidade de viver de caça e pesca, desprezando nosso aspecto filogenético de ter a cultura como depósito de nossas experiências emocionais. Ontogeneticamente, através de Alex Supertramp, despreza todo o seu passado. Sozinho, dá a luz a este novo personagem na tentativa de fazer um novo mundo e nele habitar solitariamente. Avesso a qualquer contato de maior intimidade, ele recusa e foge, desvinculado e obstinado em provar que sua teoria a respeito das relações humanas está correta. Ele sente o humano como contaminado, corrompido e procura na concretude da nossa mãe natureza um modo de se livrar de sua dor. Almeja uma união utópica, uma felicidade infinita, um entrelaçamento profundo e duradouro em seu novo modo de ser.
Ao se instalar em um ônibus abandonado no extremo oeste do Alasca e vivenciar solitariamente seu sonho de comunhão com a natureza por 16 semanas, ele tem a si e seus livros filosóficos para lhe fazer companhia. Vai para o Alasca com provisões insuficientes de propósito e sem certas peças de equipamento consideradas essenciais por muitos alasquianos: rifle de calibre maior, mapa, bússola e machado. Deixa seus pais sem saber seu destino e provoca nas pessoas que encontra pelo caminho uma angústia por sua sobrevivência física. Vive uma inanição psíquica, que começara muito antes em sua vida. Ao não admitir relações íntimas, opta por viver sozinho a viver só e dependente.
Podemos então nos perguntar: alguém pode sustentar uma existência isolada sem repercussões deletérias para o psiquismo?
Sem contato humano, não temos como representar as experiências emocionais que vivemos, situação que podemos dizer como morte psíquica. Precisamos do outro para nos ajudar nestas representações, para saber sobre nós mesmos, quem somos ou quem estamos sendo. Nos é vital a companhia de outra mente pensante para podermos ser criativos.
A medida que seu corpo definha, se alimentando de uma parca alimentação, sua mente parece apreender o sentido da vida que buscava. Admite que seu nome verdadeiro é Chris Maccandless e junto à anotações de um livro escreve: “Felicidade só é real quando compartilhada.” Antes tarde do que nunca?
SERVIÇO
Cinema e Psicanálise: Na Natureza Selvagem
Data: 15 de junho
Horário: 15 horas
Local: Sede do Centro Médico de Franca - rod. Tancredo Neves, saída para Claraval - Km 2.
Entrada: R$5. Ingressos vendidos a partir das 14h30