08 de julho de 2026

Recuperar créditos


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O setor de recuperação de créditos vem evoluindo significativamente no País, tanto em termos tecnológicos como em técnicas negociais, mas ainda carece de sistematização e difusão desses fatos de maneira mais racional e mais ampla. Iniciativas como a do IBeGI-Instituto Brasileiro de Estudos e Gestão da Inadimplência, ao dar sequência ao seu projeto editorial com o lançamento de mais um volume da série Otimização na Recuperação de Ativos Financeiros, parte importante da missão em prol do desenvolvimento, pretendem criar novo paradigma para o segmento, procurando situá-lo em uma condição de maior visibilidade e mais respeito.

A responsabilidade (social) da garantia de solvabilidade dos compromissos assumidos é inerente à condição de cidadania, daí a obrigação de evitar, com preceitos e ensinamentos da educação financeira, o risco da não devolução do que foi tomado emprestado. Satisfação de necessidades e desejos, de um lado, e responsabilidade pelo cumprimento de obrigações, de outro, é o quadro (quase) completo das operações de crédito e consumo. E é exatamente aí que entram os profissionais da recuperação de ativos financeiros buscando soluções que conciliem os interesses de quem antecipou poder de compra e de quem precisa honrá-lo para permanecer como agente econômico merecedor de crédito.

A evolução do volume das transações, a complexidade das negociações, o impacto no seio das famílias do fenômeno do endividamento, os esforços para o desenvolvimento da chamada modelagem destinada a embasar as operações de recuperação do ativo financeiro, o volume do emprego, tudo isso indica que esta área já merece um lugar de destaque nos currículos escolares dos cursos superiores que pesquisam, estudam e transmitem conhecimento sobre questões envolvendo moedas, bancos e crédito. Como os de Economia e Administração. No entanto, reitores, diretores, coordenadores e as autoridades que regem o ensino no País ainda não se aperceberam disso.

Disseminar conhecimento sobre o tema e o segmento e, ao mesmo tempo, trazer para discussão as soluções dadas às questões que emergem no dia-a-dia da atuação das empresas e dos profissionais que ali labutam, além de mostrar às autoridades e aos agentes econômicos os fundamentos, os problemas e a evolução técnica e tecnológica do setor, deve ser preocupação de toda a sociedade.

Da mesma forma, é importante ressaltar a significância da indústria da recuperação de créditos na economia brasileira, seja pelo número de empresas que atuam no setor, pelo estímulo que proporciona em termos de demanda à tecnologia da informação e às telecomunicações, pelo volume e oportunidades de emprego que oferece ou, ainda, pelo montante de recursos monetários que traz de volta ao circuito econômico, ampliando as condições de liquidez da economia. Consequentemente, a proposta de colocar o segmento em novo patamar, como vem fazendo o IBeGI, é uma atitude louvável, que deve ser saudada como positiva, instigante. E útil para todos nós.

Vicente de Paula Oliveira
Economista