O nome do engenheiro Paulo dos Santos Neto consta da planta que serviu de base para a construção do Viaduto “Dona Quita”, na avenida Major Nicácio. A logomarca de seu escritório de engenharia também está lá. Mas, em depoimento prestado na segunda-feira à CEI (Comissão Especial de Inquérito) aberta para apurar suspeitas de irregularidades na obra, o engenheiro disse não ter elaborado o projeto de construção e desconhecer seu conteúdo.
O depoimento aconteceu na tarde da segunda-feira, na sede da Copem Consultoria e Projetos de Engenharia, em São Carlos, da qual Paulo é sócio. Foram 47 minutos de oitiva em que, além de alegar não conhecer o projeto que contém seu nome, ele ainda confirma ter feito o estudo prévio para a instalação do viaduto antes mesmo de ser contratado pela Prefeitura. “Para mim, este foi o depoimento mais importante até o momento. O engenheiro Paulo confirmou que realmente fez o estudo antes porque tinha a garantia do ex-prefeito Sidnei Rocha (PSDB) de que seria o contratado. É uma irregularidade gravíssima”, disse o vereador Márcio do Flórida, que preside a CEI.
Ao ser questionado sobre o fato de seu nome e do logo de sua empresa constarem do projeto básico que compôs o processo de licitação do viaduto, Paulo negou que tenha elaborado as plantas da obra. “Isso está errado. É coisa da Prefeitura. Eu desconhecia essas pranchas. Não é de minha autoria. A assinatura não é a minha”, disse no depoimento.
Em entrevista ao Comércio, na manhã desta sexta-feira, Paulo voltou a afirmar que não elaborou o projeto básico. “Apenas dei algumas orientações básicas à Valéria Marson porque ela me ligou perguntando. Mas foram bem poucas”.
Ele disse que não esteve presente na elaboração do projeto e não fez o registro do mesmo no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura. “As orientações foram por telefone. Não tive contato com o projeto.”
Sobre o fato de seu nome e da logomarca de sua empresa constarem do projeto como responsáveis, ele disse que deve ter havido algum erro. “O que pode ter acontecido na minha opinião é que eles usaram meu estudo preliminar como base para este novo projeto e, por isso, mantiveram meu nome”.
Questionado se este procedimento seria comum, o engenheiro disse que não. “Eles não poderiam usar o meu nome sem meu consentimento”. Apesar de não concordar com o uso indevido, Paulo disse que não deve tomar nenhuma medida contra a Prefeitura. “Para mim, esta é uma questão menor. Deve ter sido um erro.”
Para o presidente da CEI, o fato do engenheiro desconhecer o projeto é outra irregularidade grave. “Na planta, só constam o nome do Paulo e da ex-secretária Valéria Marson, que é arquiteta e não poderia assinar como responsável em um projeto de engenharia. Se não foi o Paulo quem elaborou o projeto básico, precisamos então descobrir quem foi. Além disso, como a Prefeitura utiliza o nome de um profissional sem autorização. Isso é grave”, disse.
Para esclarecer os fatos, a ex-secretária de Planejamento e hoje vereadora Valéria Marson (PSDB) deve ser convocada a depor na próxima sexta-feira. (leia mais ao lado).