Perguntou-nos um amigo leitor se os laços de afeto entre pessoas permanecem no mundo espiritual e se, ocorrendo a desencarnação de um cônjuge, o reencontro entre os dois, no mundo espiritual, será imediato à posterior desencarnação do outro.
Em resposta podemos afirmar que, segundo os ensinamentos da Doutrina Espírita, só o amor verdadeiro pode garantir a união indestrutível. Mas, convenhamos, aqui, no nosso planeta, raramente se vê uniões conjugais darem-se pela força do verdadeiro sentimento de amor. Quase sempre, dão-se por interesses muito diferentes.
Muitas vezes, entre nós, matrimônio se justifica pelo patrimônio. Em outras, a acepção do termo casamento cede seu espaço à de acasalamento. Faz-se comum a prevalência de interesses materiais. O que pensamos tratar-se de amor é, quase sempre, atração física acomodada no sentimento a que denominamos paixão.
Por outro lado, como estamos vivendo num mundo de expiações e provas, isto é, onde todos estagiam por suas imperfeições, não podemos esperar que os casais sejam formados por pessoas plenamente equilibradas do ponto de vista emocional e do mesmo nível evolutivo. O que vemos, na maioria dos casos, são relacionamentos tumultuados por desafios que seus personagens não sabem superar.
Como a situação de cada um no mundo espiritual é determinada pelo particular estágio evolutivo, pelo grau de moralidade que tenha conquistado, e considerando-se a implacável lei de afinidade que nos rege o afastamento ou aproximação, cada um vai ter-se, na espiritualidade, com aqueles que lhe são afins.
Então, pode ocorrer que os cônjuges não se reencontrem no Além, após a desencarnação. E é, justamente, isso que nos informa com muita propriedade e com riqueza de detalhes, o espírito André Luiz, em suas obras psicografadas pelo médium Francisco Cândido Xavier, especialmente em Nosso Lar, No Mundo Maior e E a vida continua..., cujas versões cinematográficas foram exibidas recentemente. Se atentarmos para os relatos do referido autor espiritual, veremos que, no mundo dos espíritos, desencontros é o que costumeiramente ocorre.
Podemos concluir, portanto, que é possível que não reencontremos imediatamente nossos parceiros na espiritualidade, uma vez que ainda estamos, do ponto de vista das qualidades individuais, distantes uns dos outros, porquanto carentes da qualificação que caracteriza as almas que se reúnem para a execução de sublimados programas emancipadores da humanidade terrena.
Enquanto não conseguimos merecer maiores cotas de confiança por parte dos Mentores Espirituais, tenhamos a certeza de que, quanto mais nos esforçarmos para vivenciar o amor verdadeiro, mais espontâneo nos parecerá o fortalecimento dos laços afetivos que nos devem unir.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca