Preferido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ser candidato do Partido dos Trabalhadores ao governo do Estado de São Paulo no ano que vem, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, tem pautado sua atuação por uma série de trapalhadas. Confrontado com o erro, à maneira de seu mentor, só responde que nada sabia, não tinha conhecimento, não teria autorizado. A última diz respeito a uma campanha publicitária lançada no último final de semana sobre a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis.
A peça polêmica, que tinha como protagonistas as chamadas profissionais do sexo, ganhou destaque entre os vídeos e fotos divulgados nas redes sociais pela mensagem que trazia: ‘Eu sou feliz sendo prostituta’. Após a repercussão polêmica, Padilha afirmou que o material não passou pelo seu aval. ‘Enquanto eu for ministro, campanhas assim não vão passar pelo ministério’, garantiu, porém sem explicar como é que o material já estava sendo distribuído e divulgado. Só depois é que o ministério barrou a campanha.
Porém, esta não foi a primeira vez que um fiasco de grandes proporções manchou as ações do Ministério da Saúde na gestão do petista. No último mês de março foi suspensa a distribuição de um kit direcionado para o público adolescente e que tinha como tema a prevenção da Aids. Eram seis revistas em quadrinhos que tratavam de assuntos como gravidez na adolescência, uso da camisinha e homossexualidade. Pela sua inadequação, a distribuição foi suspensa. E Alexandre Padilha disse não ter consentido na publicação.
Em maio de 2011, outro tropeço: a presidente Dilma cancelou a entrega a estudantes de um kit de combate à homofobia (produzido em conjunto com o Ministério da Educação) após uma série de críticas de autoridades, pais e educadores. Já no mês passado, o ministério gastou 10 milhões de reais em uma campanha que informava, de forma equivocada, que pessoas com problemas relacionados a planos de saúde particulares deveriam ligar para a Ouvidoria do SUS, que trata da saúde pública. A campanha precisou ser corrigida. São muitos erros para um ministério só.
Caso Alexandre Padilha pretenda mesmo sair candidato a governador de São Paulo — e, já se sabe, a meta é que ele priorize saúde e educação (o calcanhar de Aquiles da atual administração tucana) —, não basta copiar Lula na cantilena de que não sabia de nada. Afinal, falta-lhe o carisma do ex-presidente para que não seja manchado pelos próprios erros. O Estado de São Paulo, atualmente, precisa de ações reais e corajosas que correspondam aos anseios da população. É algo que ainda não se viu partindo do Ministério de Padilha, o que pode ser verificado em razão do quadro grave que a Saúde Pública brasileira apresenta no momento. Ações publicitárias não serão capazes de resolver. É hora de arregaçar as mangas e atacar os problemas de frente. Do contrário, corre-se o risco de dar o poder a quem não tem capacidade para exercê-lo.