08 de julho de 2026

Uma trágica realidade


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Muito já se falou neste espaço sobre a tragédia que as drogas — ilícitas ou não — continuam causando em muitas famílias, não só de Franca. São dramas algumas vezes ignorados, já que muitos se restringem ao núcleo familiar e não transpassam as paredes da residência. O Comércio já publicou, nos últimos anos, o apelo desesperado de mães que se veem em desvantagem na luta inglória contra o vício em drogas dos filhos. Uma luta que transforma toda a rotina do lar, levando o usuário a um caminho muitas vezes sem volta, além de desagregar todos os seus vínculos afetivos. No fim, o desespero toma conta.

O último drama registrado em nossas páginas é a história de uma dona de casa, ex-pespontadeira de 41 anos, mãe de um adolescente de 16 viciado em crack e ameaçado de morte por traficantes. Um relato pungente e que causa revolta diante da realidade perversa, bem distante da vivida pela maioria da população brasileira, mas conhecida por uma grande parcela dela. Em razão de suas artimanhas para conseguir dinheiro para manter seu vício, o jovem atraiu a ira dos chefes do tráfico na zona oeste da cidade, que invadiram a humilde moradia, o espancaram e deram-lhe um prazo para deixar a cidade. Este prazo termina amanhã e a mãe não sabe mais o que fazer. Só lhe resta rezar.

Desde que recebeu a ‘visita’ dos traficantes, a mulher percorreu diversos órgãos públicos em busca de ajuda. ‘Só não fui à polícia porque [os traficantes] falaram que se fosse matariam a família’, afirma na reportagem publicada domingo. Sem qualquer condição financeira de bancar uma internação e nem parentes que aceitem ajudá-la, a única solução que restou foi buscar junto às autoridades o recolhimento do garoto a uma instituição para tratamento contra o vício. Foi quando começou a sua peregrinação. Do Conselho Tutelar, nenhuma ajuda — ‘não temos competência para fazer uma internação’, afirma o conselheiro Marcelo Mambrini.

Já a Promotoria da Infância e da Juventude mandou-a procurar a Defensoria Pública. Nesta, nenhum eco ao apelo (a Defensoria diz que não pode se pronunciar, por se tratar de um menor de idade). Embora o governo do Estado tenha criado um grupo para atendimento e encaminhamento de viciados para instituições especializadas no tratamento, em Franca não há notícias de seu funcionamento. Enquanto isso, a mãe desesperada vê o prazo se esgotar e seu filho correr perigo.

Acometido por dependência severa do crack, conforme laudo médico, o adolescente não consegue abandonar o consumo e não há como sua mãe mantê-lo em casa. Estamos na terça-feira e espera-se que ainda hoje se encontre uma solução para esta verdadeira tragédia urbana que se prenuncia ainda maior, caso as autoridades envolvidas não encontrem uma saída que permita ao rapaz se recuperar e devolva a tranquilidade à sua mãe. O que não se pode é cruzar os braços e deixar o tempo resolver — e tempo praticamente inexiste. Esperamos que esta mãe tenha seu apelo atendido e que a paz volte a fazer parte de sua vida — bastante tumultuada não apenas pelo vício do filho, mas também pelas ameaças que ele vem sofrendo.