Renúncia é o título de belíssima obra, a última do pentateuco romanesco que o espírito Emmanuel nos legara pela psicografia de Chico Xavier, antecedida, pela ordem de edição, dos seguintes romances dedicados à história do cristianismo: Há 2000 anos, 50 anos depois, Ave Cristo e Paulo e Estevão.
É nesses quatro primeiros livros que o autor espiritual faz interessante narrativa das injuntivas experiências vividas por diversos espíritos no seu encontro com a mensagem do Cristo. Especialmente no romance Paulo e Estevão, Emmanuel se dedica a relatar os acontecimentos que envolveram Saulo de Tarso, doutor da lei junto à Sinagoga de Jerusalém, encarniçado perseguidor dos cristãos, notadamente a Estevão, a quem levou ao apedrejamento.
Todavia, eis que, quando se dirigia a Damasco no cumprimento de injurioso expediente de perseguição aos seguidores de Cristo, em especial a Ananias, que havia convertido sua ex-noiva aos ensinos do Mestre, depara-se com a figura de Jesus, que o convida para o Seu Ministério. Converte-se, ante o fulgor da imagem do Mestre, que lhe fala, irresistivelmente, ao coração e, latinizando o próprio nome, torna-se Paulo de Tarso.
O médium Chico Xavier considerava esse o ponto alto da produção de romances intermediados por suas pródigas faculdades psicográficas.
Mas, aqui, nosso enfoque é voltado para a importância do ato de renunciar ante valores equivocados. No romance Renúncia, o preclaro autor relata as lutas do espírito Alcíone na tentativa de resgatar um outro espírito ao qual era ligado por estreitos laços de amor.
Ela, que já atingira elevado status espiritual, amando quem ainda se demorava na retaguarda do processo evolutivo, desde o desejo de reencarnar-se, processo de que já se achava liberta, até o enfrentamento de lutas difíceis da existência, emprega decididos esforços para redimir a alma objeto de seu afeto. Toda a existência é um completo ato de renúncia.
O maior ensinamento que se tira das páginas de Emmanuel é o de que, se quisermos salvar a vida, é necessário doá-la. É a renúncia proposta por Jesus quando, na sua mensagem, afirma: ‘Quem quiser vir após mim, negue-se a si mesmo e venha’.
É a mensagem da abnegação, da resignação, da caridade, enfim, do amor, essência da mensagem do Mestre excelso.
Todas estas considerações, contudo, vêm a propósito de um excelente artigo da psicóloga Rosely Sayão, publicado no caderno ‘Equilíbrio’, da Folha de S. Paulo, de 26 de março último, no qual a autora faz-se convincente ao afirmar que na vida atual o que prepondera é a apologia do prazer, da satisfação imediata e da felicidade a qualquer preço.
Conclui a psicóloga que é impossível formar família sem renunciar, ainda que temporariamente, às facilidades da vida de solteiro e às comodidades da vida sem filhos.
Por isso é que vemos jovens mães com seus filhos recém nascidos em lugares impróprios e inadequados. Não querem renunciar à vida a que estavam acostumadas. E maternidade, sobretudo, pede renúncia. Demais, quem não renuncia não consegue viver a Grande Mensagem.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca