09 de julho de 2026

Policial militar traça raio-x das mortes no trânsito


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Nissan com as rodas para cima em cruzamento das ruas Frederico Moura com Prudente de Morais, próximo à Prefeitura, ontem, na hora do almoço. Motorista foi retirada do veículo capotado bastante assustada, mas sem ferimentos após colisão com um Agile

Das 66 pessoas que morreram em acidentes de trânsito em Franca - área urbana e estradas vicinais -, a maioria é composta por homens com idade entre 18 e 30 anos e que no momento das colisões estavam dirigindo carros, regularmente habilitados. Dirigir entre 18 horas e meia noite é mais perigoso, pois a maioria dos desastres ocorrem neste período.

O “raio-x” descrito acima é resultado de minucioso estudo realizado pelo capitão Marcus Alexandre Moraes de Araújo, comandante da Companhia de Força Tática do 15º Batalhão da Polícia Militar de Franca, e está baseado em levantamentos da própria Corporação, do Ministério da Saúde e do Dpvat (Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre).

O estudo foi preparado pelo policial durante dez meses de pesquisa para a conclusão do curso de pós-graduação de ciências policiais em segurança e ordem pública no Centro de Altos Estudos de Segurança da PM. A dissertação foi apresentada no fim de março e tornou-se pública na noite de quarta-feira, 22, em reunião para o desenvolvimento do Plano Municipal de Segurança no Trânsito, realizada na Câmara.

Segundo o levantamento feito por Araújo, num intervalo de três anos foram 95 acidentes fatais no trânsito de Franca, com 216 pessoas mortas. O ano que registrou o pior índice foi 2010, com 37 acidentes fatais e 83 vítimas. No ano passado, 66 pessoas (59 homens e 7 mulheres) morreram em 31 sinistros. Entre as causas apontadas no estudo estão a falta de cinto de segurança; não uso do capacete; alta velocidade; imprudência, e o consumo de bebidas alcoólicas.

Os dados de mortes e vítimas em acidentes são contabilizados pelo Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), pelo Ministério da Saúde e por registros no Dpvat. Para Araújo, nenhum deles é confiável. “O Denatran baseia-se nos boletins da PM, mas quando a pessoa morre no hospital dias depois o dado não aparece. Na Saúde é um pouco mais completo, mas muitas pessoas que sofrem pequenas lesões não são atendidas. No Dpvat pode haver fraude e pessoas que não requerem”, disse o capitão.

MAPEAMENTO
Uma das eventuais soluções para reduzir o número de acidentes na cidade, segundo o oficial da PM, é identificar os pontos críticos. No ano passado, a avenida Dr. Ismael Alonso y Alonso foi palco de 292 acidentes, sendo 79 com vítimas e 213 sem feridos. Na sequência do ranking, aparecem as avenidas Hélio Palermo (220 acidentes); Adhemar Pereira de Barros (154); Major Nicácio (147) e Brasil (140).

Baseada nos levantamentos, a PM direcionou as operações de trânsito neste ano tomando o cuidado de atender coibir os excessos nestas vias. “Conseguimos reverter os números com uma fiscalização maior na Alonso y Alonso. Ela caiu para a 3ª colocação, mas houve crescimento nas outras”, explica Araújo.

Baseado em seu estudo, ele sugere reforço na fiscalização com a instalação de radares fixos nestas vias. Isso para que os policiais que operam os móveis possam ser empenhados no trabalho. Araújo ainda cita semáforos monitorados; lombadas eletrônicas - dispositivo que controla a velocidade - e campanhas de educação no trânsito, começando desde o ensino infantil, para tentar conscientizar a população sobre a necessidade de se respeitar as leis de trânsito.