O avanço da gripe A H1N1, popularmente conhecida como gripe suína, no Estado de São Paulo já se reflete em Franca. Apesar de a cidade não possuir nenhum caso confirmado da doença, até as missas sofreram alterações. Na última sexta-feira, 24, o administrador diocesano, monsenhor José Geraldo Segantin, emitiu comunicado implantando medidas preventivas. Agora, por exemplo, o tradicional abraço de paz e o costume de rezar o Pai-Nosso de mãos dadas deverão ser evitados; a hóstia só poderá ser recebida na mão, não mais na língua; e o vinho não deve ser bebido do mesmo cálice por mais de uma pessoa.
“A Secretaria Estadual da Saúde pediu algumas providências em locais onde se aglomeram muitas pessoas e o vírus pode se espalhar. Eu quero o bem das almas, e o físico também”, justificou Segantin.
De acordo com o chefe da Vigilância em Saúde da cidade, José Conrado Dias Neto, foram feitos seis exames em pacientes de Franca suspeitos de estarem com a gripe suína neste ano, mas cinco deram negativo e o sexto ainda aguarda resultados. No entanto, o município não está imune à doença. “Se [a gripe H1N1] está tendo em todo o Estado, pode chegar aqui sim. Franca é uma cidade industrial, vem muita gente para cá e muita gente daqui vai para outros lugares”, alerta Neto.
Uma forma de evitar a gripe é através da imunização. A vacina da campanha de prevenção contra a gripe, promovida pelo governo estadual, protege contra três tipos de gripe (tipo “A” H1N1, tipo “A” H3N2 e tipo “B”), mas ela é limitada a um determinado público-alvo, como gestantes, idosos e doentes crônicos. Vacinações em massa não deverão ocorrer.
Mesmo quem procura a vacina em estabelecimentos particulares pode encontrar dificuldade em se imunizar. Na Clínica Franca de Vacinação, por exemplo, já não há mais doses contra gripe. “Tínhamos um estoque de 2.500 vacinas, que acabou na semana passada. A procura aumentou em abril e maio. Agora, só receberemos novas vacinas para gripe no ano que vem”, afirmou a auxiliar administrativa e técnica em enfermagem do centro, Rejane Breves. Já no IFI (Instituto Francano de Imunização), ainda existe “uma quantidade razoável” de doses, segundo a proprietária do local, a biomédica Alessandra Salloum. “A procura triplicou desde o dia 15 de abril.”
As farmácias também perceberam um aumento no fluxo de pessoas. A farmacêutica Mariana Meletti, da Drogaria Cruzeiro, notou, desde o começo de abril, um crescimento de 35% a 40% na venda de produtos como álcool em gel, antigripais, antialérgicos e anti-inflamatórios, por causa do clima seco. “Quando você espirra, a bactéria continua no ambiente. A função do álcool em gel é matar todos os tipos de bactérias e germes. Outro produto com muita saída é o umidificador, porque é preciso também tornar o ambiente mais úmido.”
Segundo as autoridades de saúde, simples atos de higiene podem evitar a contaminação pelo vírus da gripe suína.