A semana que estamos iniciando é muito importante para a Igreja e para os católicos
Reflexões sobre Deus Trindade – o Pai, que criou o universo, o Filho, que se fez um de nós e o Espírito Santo, a força de Deus, que enseja o projeto de amor do Pai, estão nas leituras de hoje. Também aproveitamos a comunicação deste domingo para contar a história da instituição do dia de Corpus Christi.
PRIMEIRA LEITURA — PROVÉRBIOS 8
A festa de hoje nos revela o aspecto específico da nossa fé: nós acreditamos em Deus Trindade. Sabemos que Deus é um só; acreditamos, contudo, que ele é o pai que criou o universo e que o governa com sabedoria e amor; cremos que ele não permaneceu no céu, mas, na sua Imagem, o Filho, veio para este mundo e se fez um de nós; cremos que ele realiza o seu projeto de amor com a sua força, o Espírito.
A leitura de hoje nos ensina que todo o universo é obra das mãos de um Deus sábio e providente. Durante toda a sua atividade ele sempre foi assistido pela Sabedoria; isto significa que a criação responde a um projeto elaborado dentro de uma ordem, embora a nossa limitada inteligência não consiga entendê-lo em toda a sua profundidade. Ter fé em Deus Pai significa acreditar que ele fez tudo com sabedoria e amor.
SEGUNDA LEITURA — ROMANOS 5
Depois de ter criado o universo com sabedoria, Deus não considerou concluída a sua obra. Não abandonou o mundo e os homens ao seu próprio destino. Na plenitude dos tempos, com efeito, Deus entrou realmente no nosso mundo, tornou-se um de nós. Este Deus que se fez homem é o Filho, a imagem perfeita do Pai. É ele a sabedoria da qual nos falava a primeira leitura.
Por que Deus interveio na nossa história? Este segundo texto bíblico nos explica: ele interveio para justificar-nos, mediante a fé em Jesus; por isso “nos gloriamos na esperança de possuir, um dia, a glória de Deus”.
Ter fé no Deus Filho significa acreditar que ele ama os homens a ponto de participar de suas próprias precariedades e de sua fragilidade; significa alimentar a esperança de que este amor infinito poderá, sim, registrar algum fracasso momentâneo, mas nunca uma derrota definitiva.
EVANGELHO — JOÃO 16
Na primeira leitura conhecemos o projeto do Pai na criação; na segunda, foi-nos revelado que este projeto se realiza no Filho, mas não sabíamos ainda que o caminho que conduz à salvação teria sido, não só surpreendente, mas absurdo. Eis porque é necessária a intervenção do Espírito. Só ele pode nos fazer aderir plenamente ao projeto do pai e à obra salvadora do Filho.
As leituras nos falam da Trindade, não para propor-nos um quebra-cabeças (de que maneira 1 pode ser igual a 3?) mas para revelar-nos o amor que Deus tem por nós, para manifestar-nos seu projeto de salvação. A Trindade é a carteira de identidade dos cristãos: no discípulos de Jesus deve estar refletida a face de Deus, que é Pai, Filho e Espírito. A marca da Trindade pode ser identificada na comunidade cristã quando todos, mesmo os que desgarraram bastante, se sintam bem aceitos, estimados, valorizados, quando as alegrias e as tristezas sejam partilhadas, quando as diferenças não sejam eliminadas em nome da unidade, mas sejam consideradas um enriquecimento. Percebe-se o sinal da Trindade nas famílias onde há diálogo, amor, colaboração. Nota-se o sinal da Trindade onde quer que se procure a glorificação autêntica: não aquela que se origina da competição, da dominação sobre os outros, da injunção, mas da que provém da prestação do serviço fraterno para quem precisa sentir-se amado.
CORPUS CHRISTI
O que é celebrado no dia de Corpus Christi?
É celebrado Jesus Cristo realmente presente em seu Corpo e Sangue.
Quando a festividade de Corpus Christi teve início?
Aos 11 de agosto de 1264, pelo Papa Urbano IV (1261-1264), com a Bula Transiturus.
Qual é a história de Corpus Christi?
A religiosa Juliana de Mont Cornillon, de Liege, na Bélgica, comunicou ao cônego Tiago Pantaleão de Troyes, em 1230, que teve visões para que comunicasse à igreja a necessidade de uma festa anual em agradecimento e adoração a Cristo Eucarístico. O cônego Tiago tornou-se, em 1261, papa Urbano IV, que instituiu o Corpus Christi. A freira Juliana de Mont Cornillon (1192-1258) foi canonizada em 1599 pelo Papa Clemente VIII (1535-1605).
Como o Corpus Christi passou de festividade local para festividade universal?
O cônego Tiago Pantaleão de Troyes, depois de ouvir a revelação de Juliana de Mont Cornillon, iniciou procissão eucarística dentro da Igreja de São Martin, em Liége (Bélgica). Dezessete anos depois, em 1247, a procissão deixou o interior da Igreja e se estendeu pelas ruas da cidade de Liége, atraindo muita gente. Em seguida foi proclamada como festa nacional da Bélgica para, em 1264, tornar-se uma festa universal, decretada por Urbano.
Por que há o costume, em algumas cidades, de enfeitar a ruas por onde passa a procissão de Corpus Christi?
Esse costume chegou até nós vindo de Portugal, e tem como finalidade demonstrar nossa fé e o nosso amor a Jesus presente na Eucaristia. Os enfeites nas casas, a construção de pequenos altares ao longo do percurso a ser caminhado e a confecção de tapetes com figuras religiosas exaltam Aquele que é a razão e o centro da procissão solene: o próprio Cristo. A missa e a procissão de Corpus Christi 2013, em Franca, acontecerá dia 30 deste mês, às, 16 horas, na praça da Catedral.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br