Uma das notícias que mais chamaram a atenção nesta semana foi a ousada ação de um ladrão que ‘pescou’ 60 jaquetas em uma loja da cidade na madrugada do último sábado. O vídeo da ação —capturado pelo sistema de vigilância da loja, instalada em pleno centro da cidade —, divulgado com exclusividade pelo Portal GCN, chamou a atenção e extrapolou os limites de Franca, sendo divulgado por emissoras de TV de projeção nacional. Serviu ainda para mostrar o marginal que, não contente com o material já coletado, ainda invadiu o estabelecimento e só fugiu por causa do disparo do alarme. Mas sua imagem ficou gravada.
Porém, o proprietário da loja — que contabiliza um prejuízo superior a R$ 10 mil —, Rodrigo Aureliano, oferece uma recompensa de R$ 500 para quem der informações concretas que levem à identificação do autor do crime. Isso lembra um dos métodos do Velho Oeste americano, em que bandidos eram procurados através de cartazes que ofereciam somas de dinheiro para quem fizesse a prisão — ou desse pistas para tal. Em plena era da tecnologia é preciso voltar dois séculos atrás para se tentar prender um ladrão de roupas.
Segundo se sabe a recompensa só foi oferecida depois que o empresário percebeu que não houve grande preocupação da polícia com seu caso. De acordo com o dono da loja, os policiais ligaram para ele só uma vez. Não foram ao local. Uma blusa do bandido, com sangue, ficou no lugar do crime, mas foi para o lixo. Não foi feita perícia técnica. O vídeo das câmeras de segurança, divulgado pela Internet e que chamou a atenção dos órgãos de imprensa e TV dos grandes centros, não foi requisitado pelos investigadores. Para a vítima, isso representou um ‘descaso’ total.
Caso houvesse uma presteza maior dos agentes da Polícia Civil — encarregada de investigar crimes e enviar os respectivos inquéritos para a Justiça —, haveria uma chance muito maior para identificar e prender o audacioso ladrão. Desta forma, poderia até ser recuperado o material — ou parte dele — que foi levado. Mas tal não aconteceu pelo menos até cinco dias após o furto, o que torna mais difícil a ação policial. Mesmo assim, caso o ladrão seja capturado em razão da recompensa oferecida, ele só será levado à delegacia para prestar declarações e responderá ao inquérito em liberdade - se não for considerado fugitivo da Justiça. Ficará solto para continuar cometendo delitos até que seja condenado e efetivamente preso.
Tiram-se daí algumas conclusões. Uma delas é que, ao contrário da indignação das vítimas, a garantia de segurança pela polícia ainda está longe de ser eficiente. Faltam agentes, faltam peritos e faltam equipamentos que deem conta de toda a população — e vê-se uma repetição do fato em todo Estado. Outra é ainda mais evidente: câmeras de segurança apenas para gravar imagens não estão sendo capazes de evitar crimes e delitos, ao contrário do que pensam os nossos vereadores — que obrigaram os bancos a instalar o equipamento no exterior das agências do município como forma de coibir ataques conhecidos como ‘saidinhas’. Vê-se claramente que a solução passa pelo tratamento do bandido com todo o rigor que ele merece e o aparelhamento da polícia.