09 de julho de 2026

São José pretende subir passagem para R$ 3,85


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Passageiros embarcam em ônibus no terminal do Centro. Valor da tarifa deve ficar em torno de R$ 3

O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) vai conviver com um dilema nos próximos dias. Já está na mesa dele o pedido de reajuste da passagem de ônibus feito pela empresa São José. O valor solicitado é mantido em sigilo pelas partes. O tema é delicado e será tratado com cautela pelo município. O Comércio apurou que gira em torno de R$ 3,85. O valor é acima da tarifa que passará a vigorar em São Paulo, maior cidade do País, a partir do dia 2. Para frear a inflação, a capital reajustará o ônibus abaixo do esperado e o bilhete custará R$ 3,20.

Tradicionalmente, o preço da tarifa em Franca é reajustado no mês de junho. Hoje, a passagem custa R$ 2,80, valor acima do praticado em cidades do mesmo porte ou até maiores. A passagem cara foi um dos temas mais explorados pelos candidatos de oposição durante a campanha eleitoral do ano passado.

Enquanto os adversários prometiam reduzir o preço e rever o contrato firmado entre o município e a concessionária do serviço de transporte público em Franca, o então candidato Alexandre Ferreira afirmava que a tarifa era justa e que não era possível pensar em redução por causa do enorme número de passageiros beneficiados por leis de gratuidade e transportados de graça.

A São José transporta em média 1,8 milhão de passageiros por mês. Quase a metade deste público não paga passagem ou tem desconto. No período, 260 mil idosos e 105 mil deficientes usam os ônibus gratuitamente, enquanto 150 mil sindicalizados e servidores públicos recebem descontos que vão de 30% a 40%. Alguém tem de pagar a conta, no caso, o usuário comum.

É com esta realidade que o agora prefeito terá de lidar antes de autorizar o aumento na tarifa. De um lado, pesará a pressão dos usuários que já pagam uma das passagens mais caras do País. Do outro, estará a concessionária que reclama dos prejuízos causados pelos descontos ou tarifa zero. A possibilidade de haver o desequilíbrio financeiro e a qualidade do serviço cair não pode ser desprezada.

Alexandre Ferreira buscará o meio termo. É provável que aceite fixar o preço da tarifa em torno de R$ 3. Em contrapartida e para amenizar a reclamação dos usuários, o prefeito exigirá que a empresa coloque em operação as linhas intrabairros. As rotas serão feitas por oito micro-ônibus e vão cumprir itinerários curtos e regionalizados. Com isso, a Prefeitura espera que as viagens sejam mais rápidas e baratas.

No ano passado, o aumento de 15 centavos provocou protestos que pararam o trânsito no Centro. Um grupo de estudantes e representantes de partidos políticos se reuniram para manifestar no Terminal de Ônibus “Ayrton Senna”. Cerca de 70 pessoas interditaram a passagem dos veículos que subiam pelas ruas General Telles e Ouvidor Freire. A polícia precisou intervir.