09 de julho de 2026

Reforma em UBS da Vila São Sebastião atormenta usuários


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Operários trabalham na reforma da UBS da Vila São Sebastião

Não há nada tão ruim que não possa piorar. Esse dito popular se tornou realidade para os usuários da UBS (Unidade Básica de Saúde) da Vila São Sebastião. O centro já apresentava problemas como demora no atendimento, falta de médicos e de segurança e superlotação. Agora, com o início das obras de reforma e ampliação há quase um mês, surgiu uma nova lista de falhas, como a interdição dos banheiros, barulho e poeira. Assim, a vida dos usuários, que já estava difícil, se tornou um verdadeiro calvário.

A reclamação mais séria dos usuários se refere à falta de banheiros. Desde o início das obras, uma grande parte da UBS foi isolada. É nessa seção que estão localizados os banheiros. Se os pacientes estiverem apertados, as únicas soluções são segurar ou voltar para casa.

“Se a pessoa estiver com uma dor de barriga, onde vai? A reforma veio em boa hora, só que a Prefeitura deveria ter alugado um espaço e levado toda a UBS para lá. Isso aqui é um absurdo. A secretária [Rosane Moscardini] fala que está tudo ótimo, mas ela não é usuária dessa unidade”, reclamou a dona de casa Alessandra Fernandes da Silva, 35.

“Vou ficar aqui até uma hora da tarde, e fica difícil sem banheiros. Eu me sinto desvalorizada, pago meus impostos, faço tudo certinho e, na hora que a gente precisa, não somos atendidos”, disse a dona de casa Maria Helena de Lemos Calmona, 59. “Já vi uma menina fazer xixi nas roupas por falta de banheiro”, completou a sapateira Talitta Morais, 23.

Mesmo sem vontade de ir ao banheiro, consultar-se ou mesmo retirar medicamentos na UBS da Vila Tião pode se tornar uma experiência desagradável devido ao barulho e à poeira provenientes da obra. “Todos os meus oito netos [que têm de dois a nove anos de idade] se tratam aqui. Eles têm problemas respiratórios, e essa poeira das obras preocupa”, disse o aposentado Ademir Bernardes.

Com boa parte do prédio lacrado, apenas algumas especialidades - clínico geral, ginecologista, dentista, curativos, vacinas e farmácia - seguem atendendo no local. O setor de pediatria, psicologia, assistência social e fonoaudiologia foram transferidos para um imóvel localizado na rua Manoel Francisco Mello, 489, também na São Sebastião.

Mas, a recepção continua na antiga UBS, onde todos os pacientes - mesmo os que são atendidos no prédio da Manuel Francisco - devem se dirigir para marcar consultas ou retirar remédios, o que torna a ida ao médico no sistema público de saúde mais burocrática do que já é. “Você tem que ficar andando, é aquele jogo de cintura. É muito complicado”, disse Alessandra.

A secretária de Saúde, Rosane Moscardini, afirmou que vai averiguar as reclamações dos usuários e verificar se a unidade realmente está sem banheiros. “Acho que é impossível não ter um banheiro para o pessoal usar”, afirmou.