09 de julho de 2026

Preço do café cai e produto encalha nos armazéns de Franca


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O classificador de café Bruno Malta mostra a quantidade de sacas de café da última safra em armazém de Franca. Unidades ainda não foram comercializadas em razão do baixo preço

A queda no preço da saca do café, que tem se desvalorizado desde o começo do ano, tem deixado os armazéns em Franca e região com os estoques cheios. Nas cafeeiras consultadas, boa parte do café colhido na última safra ainda não foi vendida e as sacas estão há quase um ano paradas. A saca de 60 kg, que em 2012 chegou a ser vendida por mais de R$ 500, ontem era cotada a R$ 285.

O classificador de café Bruno Mendonça Malta, da Cooperfran, disse que no mesmo período do ano passado o armazém estava com poucas sacas estocadas, diferente da realidade de hoje em que 20 mil sacas aguardam por uma valorização no preço. “Em maio de 2012 tínhamos entre 3 mil e 5 mil sacas. É uma diferença grande em relação a esse ano.” Segundo ele, a capacidade de armazenamento deve se esgotar rapidamente, já que sacas da nova safra começaram a chegar. “Vamos precisar terceirizar armazém.”

Problema semelhante ocorre na Cafeeira Francana, que tem guardadas 13 mil sacas. A capacidade do espaço é para 45 mil unidades. “No ano passado dava até para jogar bola lá dentro. Agora está cheio, porque o produtor espera por um preço maior”, disse o fiel de armazém (espécie de administrador) Alan Kardec Pereira. Em maio de 2012, a média do preço da saca era de R$ 385 - R$ 100 a mais em relação ao valor atual.

Em Ibiraci (MG), a diretoria da Cocapil (Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci) calcula que 40% da safra da região - que compreende também a produção de Claraval e Capetinga - está parada nos armazéns. O montante corresponde a 240 mil das 600 mil sacas colhidas.

Segundo o cafeicultor Éder Carvalho Sandy, o preço em baixa prejudica o fluxo de caixa e atrasa a aplicação de novos investimentos na produção. Sandy é produtor em Pedregulho e, apesar de não revelar quanto colheu na última safra, disse que ainda está com metade das sacas para comercializar. Para ele, o preço ideal hoje seria de R$ 400, suficiente para cobrir os custos da cultura.

VARIAÇÃO
A pesquisadora do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da Esalq/USP, Margarete Boteon, explica que a desvalorização do preço ocorre em razão da recuperação na oferta do produto, especialmente na safra recorde obtida pelo Brasil na temporada 2012/13, que foi de 50,8 milhões de sacas de café. “Os altos preços do café praticados nas temporadas passadas (2011 e 2012) foram bons devido a uma restrição da oferta de café no mercado internacional, reduzindo consideravelmente os estoques internacionais. Diferente de agora.”

Segundo a pesquisadora, o preço do café em maio deste ano é o pior desde setembro de 2011.