No último final de semana terminaram os principais campeonatos estaduais do País. Nos Estados da federação com equipes na primeira divisão do campeonato brasileiro, os resultados foram os seguintes: em São Paulo, o campeão foi o Corinthians; no Rio, o Botafogo; em Minas Gerais, o Atlético; no Rio Grande do Sul, o Internacional; no Paraná, o Coritiba; em Santa Catarina, o Criciúma; na Bahia, deu Vitória; em Pernambuco, Santa Cruz; e; em Goiás, o próprio Goiás.
Reconheço que parte considerável da mídia esportiva brasileira defende a extinção dos campeonatos estaduais. Os argumentos são vários: baixa presença de público nos estádios, ausência de datas no calendário esportivo brasileiro, campeonatos deficitários economicamente, times do interior despreparados e desmotivados; e, grande diferença técnica entre grandes equipes da capital e as do interior.
Confesso que, particularmente, sou favorável à manutenção dos estaduais, também por vários motivos, mesmo porque é a oportunidade que o torcedor do interior tem para receber em sua cidade o grande time da capital, seu time do coração. Além do mais, a existência dos estaduais reforça sobremaneira a motivação dos times das divisões inferiores – segunda e terceira divisões – ao acesso à primeira divisão, contribuindo, assim, para motivá-las.
Quando criança e adolescente, eu e meu irmão tivemos a oportunidade de assistir, em gramados da nossa região, levados por meu pai, jogadores como Pelé, Rivellino, Carlos Alberto Torres, Ademir da Guia, Ivair (da Portuguesa), Pedro Rocha, dentre outros. Foram inesquecíveis oportunidades.
Sem dúvida, essa proximidade com os craques de então contribuiu para fortalecer minha paixão e do meu irmão pelo futebol. Como só tenho filhas, tentei proceder com elas como o meu pai fez comigo. Porém, apenas a caçula demonstra alguma simpatia pelo ‘esporte bretão’.
Por outro lado, se os campeonatos regionais acabarem, como as equipes menores conseguirão manter suas atividades? Sabe-se que a receita esperada para a manutenção da equipe durante uma temporada inteira decorre da bilheteria de grandes jogos, com a presença das equipes da capital.
É, sem dúvida, considerável reforço no caixa desses times do interior que vivem com o ‘chapéu na mão’.
Por último, é inegável que a disputa entre as equipes de um mesmo Estado, dentro do campeonato regional, acaba inflando a saudável rivalidade que é a razão de ser, a própria essência do futebol. Seedorf, craque do Botafogo do Rio, que ganhou quatro vezes a Liga dos Campeões da Europa e também é campeão do mundo, aos 38 anos, conseguiu ainda se emocionar ao se sagrar campeão carioca neste ano.
Soube valorizar e dar dignidade ao título estadual. Vamos todos cavar trincheiras para a manutenção dos estaduais, pelo bem do nosso futebol, especialmente o do interior.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca.