Depois de anos sofrendo com déficit mensal na casa dos R$ 2,5 milhões e suspensões constantes de atendimentos, a Santa Casa de Franca conseguiu não só fechar suas contas no azul como também diminuir em R$ 2,3 milhões o valor das dívidas acumuladas. O resultado é reflexo direto da ação do Comitê Gestor que assumiu a direção do complexo hospitalar em março.
Os dados foram divulgados na noite de ontem pelo prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) durante uma audiência que contou com a presença de membros da diretoria do hospital, do Comitê Gestor, empresários, vereadores e funcionários da Santa Casa.
Em pouco mais de uma hora, o prefeito apresentou um estudo comparativo de como estava o hospital quando o comitê assumiu e da situação atual de contas, equipamentos e serviços. “Avançamos bastante, mas ainda temos um longo caminho a percorrer para que tudo esteja funcionando como deveria”, disse.
Entre os apontamentos feitos, Alexandre Ferreira afirmou que, até o início do trabalho do comitê, a Santa Casa não tinha nenhum controle específico de compras, contas a pagar e contratos. “As coisas funcionavam independentes. Chegamos e não havia controle de gastos ou um sistema de previsão orçamentária. As contas surgiam do nada e tínhamos que pagar. Agora isso mudou.”
Com o auxílio de um programa de computador, toda a administração do hospital foi centralizada. “Não há um alfinete que seja comprado sem que o comitê dê a autorização. Agora tudo é controlado e negociado.”
Com maior controle, foi possível planejar melhor os gastos e cortar excessos. Além disso, o comitê também analisou os principais gastos com funcionários, fornecedores e agentes bancários. “Percebemos gastos que podiam ser economizados, principalmente, na área administrativa. Também negociamos com fornecedores e assumimos compromissos que nos possibilitaram retomar os atendimentos.”
Ao todo, as medidas resultaram numa economia de R$ 2,3 milhões, usados para abater a dívida acumulada, que baixou de R$ 51 para R$ 49 milhões.
ATENDIMENTOS
Além da economia, o Comitê Gestor ainda conseguiu retomar boa parte dos atendimentos que estavam suspensos por falta de recursos. Com isso, o número de procedimentos realizados pela Santa Casa saltou de 26 mil em janeiro para mais de 44 mil em abril.
Entre os atendimentos retomados, estão as cirurgias cardíacas e oncológicas, os atendimentos em exames e as cirurgias eletivas. “Mais importante do que a economia é o atendimento à população. Hoje os pacientes sabem que podem contar com a Santa Casa. Para mim, essa foi nossa grande conquista”, disse Alexandre Ferreira.