Para quem não sabe, transcomunicação adjetivada de instrumental é o processo pelo qual os espíritos, utilizando-se de equipamentos elétrico/eletrônicos, se comunicam com os encarnados. Já se constataram comunicações por meio dos mais variados aparelhos, como computadores, gravadores, rádio, TVs, telefones... A iniciativa pioneira na pesquisa de fenômenos da espécie foi do sueco Dr. Konstantin Raudiv, que conseguiu gravar vozes de espíritos, a partir de provocação por meio da transmissão de algumas mensagens.
Convém ressaltar que, antes dele, o inventor americano Thomas Edison havia tentado construir uma máquina que recebesse comunicação dos espíritos. Não chegou a concluir seu trabalho por falta de recursos técnicos, ainda hoje não totalmente conquistados. No Brasil, o dedicado pesquisador da psicobiofísica, o saudoso Dr. Hernani Guimarães Andrade, realizou experiências com grande êxito. Depois dele, destacam-se o Dr. Clóvis Nunes e Sônia Rinaldi.
Referentemente a fenômenos do gênero, há casos interessantes, como o que ocorreu no primeiro quarto do século XX (1920/22), no qual o consagrado escritor maranhense Coelho Neto – conforme relata Ubiratan Machado, no seu precioso livro Diálogo com o Invisível –, teve interessante participação.
Trata-se de autêntica transcomunicação, posto que deu-se por via telefônica, apesar das limitações técnicas da época. Segundo conta o autor, Coelho Neto era, até então, ferrenho adversário do Espiritismo, no qual via, apenas, superstição, até que ocorresse a desencarnação de sua netinha Ester, que vivia na residência dos avós, Coelho/Gaby.
O fato ocorreu seis meses após o passamento de Mano, filho do casal, cujo nome era Emanuel, causando ainda mais sofrimento à família, que tanto já sofria pela ‘perda’ da netinha.
Gaby, que parecia sem consolo, entrou em desespero. Júlia, mãe de Ester e filha do casal, entrou em profunda depressão e definhava, parecendo caminhar para a desencarnação. Na família, era tudo tristeza.
Certo dia, todavia, Júlia se apresenta alegre e radiante, como se algo feliz houvesse ocorrido. Gaby entra no escritório de Neto, abraça-o e, entre lágrimas, confessa acreditar na loucura de Júlia. Por quê?, pergunta-lhe o marido. Gaby explica: Júlia está lá em baixo conversando, ao telefone, com Ester. O escritor acreditou que, agora, estaria louca, sua esposa. Mas, Gaby assegurou-lhe que podia comprovar, ele mesmo.
Ambos foram para a escada e viram, no hall do andar térreo, a filha Júlia conversando com Ester. Parecendo-lhe tratar-se mesmo de um diálogo entre mãe e filha, Coelho Neto foi até a extensão que havia no seu escritório e ouviu o quanto pôde da conversação.
A identificação da voz mais a riqueza de detalhes dados pelo espírito comunicante convenceram o escritor da imortalidade da alma, fazendo-o espírita convicto, tendo, em 1924, no Abrigo Teresa de Jesus, instituição espírita do Rio de Janeiro, pronunciado uma conferência sob o título ‘A Vida Além da Morte’, quando declarou de público a sua adesão ao Espiritismo.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca