Antes de reprovar totalmente a compra do Hospital Regional pela Unimed de Franca e colocar um ponto final no que seria um dos maiores negócios do setor de Saúde da cidade, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) apresentou alternativas. Para defender a aprovação do negócio, exigiu que o Hospital Regional fosse vendido a outra operadora e ainda que as partes assumissem um compromisso para controle de reajuste de preços dos planos de saúde empresariais. Não houve acordo.
Segundo o presidente do Conselho, Vinícius de Carvalho, foram dois meses de intensas negociações, mas o acordo não evoluiu. “Não chegamos a um ponto que fosse satisfatório para as partes”, disse em seu voto pela reprovação da compra na sessão realizada no início de abril.
O presidente da Unimed Franca, Otto Cézar Barbosa Filho, disse que, na verdade, o Conselho não abriu espaço para negociação, mas, sim, impôs condições para uma possível aprovação. “Sem nos dar qualquer garantia, eles propuseram que vendêssemos o Hospital Regional para outra empresa. Não tínhamos como aceitar isso.”
O presidente do Regional, Alberto Costa Filho, disse que os sócios do hospital não aceitaram a venda para outra empresa que não fosse de Franca. “Isso não faz nem nunca fez parte dos nossos planos. Queríamos essa associação com a Unimed pela proximidade que temos. Não queríamos vender o hospital para empresas de fora.”
Outra condição do acordo era que a Unimed criasse algum mecanismo de controle de reajuste de preços dos planos de saúde empresariais com mais de 30 vidas asseguradas. Hoje, o reajuste desse tipo de contrato é negociado livremente entre as operadoras e as empresas contratantes (a Agência Nacional de Saúde controla os planos individuais e os empresariais com menos de 30 vi-das).
Para o Conselho, como mais de 60% dos planos de saúde da Unimed e mais de 50% dos do Regional pertencem a esta categoria, se a fusão fosse aprovada sem ressalvas, não haveria como impedir eventuais abusos de preços e prejuízos ao consumidor.
O presidente da Unimed disse que tentou negociar este ponto, mas o Cade não aceitou. “Nos comprometemos a reajustar com base no percentual da Agência para os planos individuais e, quando isso não fosse possível, apresentaríamos todas as planilhas para comprovar que não haveria abuso. Não adiantou.” Para Otto, os termos do conselho tornaram a fusão inviável economicamente.
O presidente do Cade foi procurado para comentar o caso, mas sua assessoria informou que ele não poderia dar entrevistas em virtude de sua agenda de compromissos.