10 de julho de 2026

Escritora Marina Colasanti ministra palestra na 9ª edição ‘Entrelivros’


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Marina Colasanti revelou memórias em bate-papo sobre a literatura na formação do ser humano

Cinco mil títulos espalhados por prateleiras e mesas, palco para MPB, momentos para contação de histórias e palestra com a escritora Marina Colasanti. Essas e outras atividades vêm marcando a Entrelivros 2013 - anual feira literária promovida pela Escola Toulouse Lautrec que, neste ano, contou com a parceria da Livraria Pé Letra. “Esse é o nono ano que promovemos a feira. É um evento que dura 15 dias e que chama a família para dentro da escola”, afirmou a diretora da Toulouse, Ana Regina Mange Contart.

Durante a noite da última terça-feira, uma profusão de vozes pôde ser ouvida fora da escola. Os carros que tomaram os dois lados da Alfredo Tosi anunciaram “casa” cheia e, ao entrar, caminhar em meio a correria dos pequenos sem ser “atropelado” foi tarefa difícil.

Acomodados frente ao pequeno palco instalado na quadra esportiva da Toulouse, familiares armados com câmeras fotográficas e filmadoras disputaram espaço por um melhor ângulo. As pequenas estrelas - responsáveis por homenagear Vinícius de Moraes - agitavam os braços a fim de serem identificadas em meio aos colegas. “A de vestido cinza é a ‘minha’”, comentou uma mãe orgulhosa.

A euforia pareceu não ter fim e o volume das brincadeiras esteve alto. Tanto que, Ana Contart, a diretora, precisou subir ao palco para pedir calma aos ânimos, bem como a volta de um quinteto que acabara de recitar Vinícius.

Conforme as apresentações foram acontecendo, o local foi esvaziando-se e, por volta das 20h30, a escritora Marina Colasanti assumiu o seu lugar como palestrante. Sua apresentação durou uma hora e o espaço foi aberto para perguntas. Após o bate-papo, a autora dedicou-se a autógrafos, finalizando as atividades da noite.

A PALESTRA
Convidada para ministrar a palestra Como se Fizesse um Cavalo durante a Entrelivros, a escritora de mais de 30 títulos, Marina Colasanti mudou seus planos na noite da última terça-feira. “Dentro do carro, vindo para cá, a Aninha (Ana Contart) me disse que eu já estive em Franca, há muitos anos, com esta mesma palestra, mas em uma universidade”, disse a palestrante. “Como não gosto de me repetir e não posso ter a certeza de que nenhum dos presentes esteve na palestra anterior, vou mudar os rumos da nossa conversa.” Nos momentos seguintes, Colasanti abriu memórias pessoais para explicar como a leitura é capaz de construir o ser humano. “Nos tempos de guerra, criança na Europa brincava trancada em casa. Por esse motivo, meu irmão e eu ganhamos uma coleção de clássicos com contos de fadas e mitológicos editados para criança. Lendo aquelas páginas, ficamos imunes, em uma abertura de alma, vivendo em outros mundos”, revelou a italiana ao contar como apaixonou-se pelos livros. Entre outras lembranças intensas, resgatou os momentos de compensação: quando portava-se bem, a ainda menina era gratificada pelo avô com um passeio por sua biblioteca. “Ele me deixava escolher qualquer livro que eu quisesse. Depois, sentava-me em um pequeno banquinho e eu devorava as páginas enquanto ‘mamava’ uma cereja, curtida em álcool, que ele me dava.”

As perguntas do público então frutificaram e a palestra estendeu-se até as 22 horas quando, então, Marina levantou-se com largo sorriso e passou atender a todos que solicitaram seu autógrafo.