Recentemente lemos nos noticiários história triste. Garota francana, vítima de leucemia, procurava doador de medula óssea que fosse 100% compatível . O líquido retirado da medula óssea desse doador poderia ser a salvação. Mas isso não aconteceu a tempo. Ela morreu. Chamava-se Ana Laura da Silva e tinha 11 anos. Sua luta e a de sua família deram origem a discussão muito importante: a doação de medula óssea!
O fato levou muita gente a refletir sobre o que é doação de medula óssea. É aí que entra na história outra garota, coincidentemente também chamada Ana Laura, e da mesma idade, 11 anos. Comovida com a história, disse ao pai: "O senhor é vereador, faz as leis da cidade, por que não cria uma Lei que obrigue as pessoas a doarem medula óssea?" O pai, Adérmis Marini Júnior, respondeu à filha que não poderia criar lei obrigando as pessoas a doarem. Mas poderia criar lei de conscientização sobre doação. Ele passou dias pensando no pedido da filha. Pesquisou sobre a doença e redigiu projeto de lei que apresentou aos colegas vereadores para apreciação e votação. A Lei foi aprovada por unanimidade, isto é, obteve voto favorável de todos os vereadores. Recebeu o nome de "Ana Laura" em homenagem à menina falecida. Foi assinada pelo Prefeito Alexandre Ferreira no ginásio de esportes da escola onde a criança estudava. Alunos e professores compareceram.
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Entrevista com Ana Laura
Como se sentiu ao ver alunos de sua escola se mobilizarem para tentar aumentar o número de doadores na cidade?
Fiquei muito feliz, pois era um jeito de ajudar nossa amiga e também outras pessoas que passam pela mesma situação.
Você conheceu a Ana Laura?
Eu a conheci na primeira série. Éramos amigas. Lembro-me que sentamos juntas no ônibus em uma viagem para São Paulo, promovida pela escola.
Conte como foi o dia que você pediu ao seu pai que criasse uma lei de incentivo à doação de medula óssea?
Recebi na escola o folheto da campanha e entreguei para meu pai. Pesquisei sobre o assunto e vi que poucas pessoas doavam. Então me perguntei por que as pessoas não doavam. Achei que precisavam de incentivo. E aí, meu pai criou a lei que incentiva a doação.
O que você diria para aquelas pessoas que ainda não querem ser doadoras de medula óssea?
Que é fácil demais doar e não existe satisfação maior que a de poder ajudar pessoas e salvar vidas. O primeiro passo é colher um pouquinho de sangue no Hemocentro para ser analisado e fazer parte do Cadastro Geral de Doadores.
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Entrevista com o vereador Adérmis Marini
Por que o nome Lei de Ana Laura?
Para que Ana Laura se torne o símbolo da doação de medula óssea. Pedi permissão para os pais dela e eles autorizaram. A história de Ana Laura estará para sempre na história de nossa cidade.
Pesquisou muito sobre o assunto? O que aprendeu?
Pesquisei sim. Leucemia é uma doença do sangue e a cura pode ser o transplante de medula óssea. A medula fica dentro das vértebras que constituem a coluna. Se a medula do doador for compatível com a do doente, o doador vai para o hospital, toma anestesia e o médico colhe o liquido da coluna. Esse líquido é armazenado e aplicado na pessoa que está doen-te.
Existem muitos doadores?
As pessoas têm medo de doarem, mas com o caso da Ana Laura e agora com a Lei espero que tudo mude. O doador vai até o Hemocentro, preenche uma ficha, colhe 10 ml de sangue para um estudo genético. O nome vai para um cadastro nacional. O Brasil todo pesquisa nomes nesse cadastro. Por isso, quanto mais pessoas se candidatarem a doadores, maiores serão as chances de salvarmos vidas. Doação é uma picada, uma agulhada, mas também um ato de amor.
Vereador, seu nome está nesse cadastro nacional de doadores?
Sim, sou doador. Meu nome está no Cadastro Nacional de Doadores de Medula Óssea.
As crianças podem ser doadoras?
Não. É preciso ter de 18 a 65 anos. Menores necessitam da autorização dos pais. As crianças podem ajudar a divulgar a ideia da importância de termos muitos nomes no cadastro de doadores. Crianças podem ajudar a conscientizar os adultos.