08 de julho de 2026

Energia sem fim


| Tempo de leitura: 3 min

Não! Não é o que o leitor está pensando. Neste artigo trataremos de energia gerada, mas que não tem uma finalidade... Parece coisa de maluco, sim, mas estamos no Brasil, não temos Alice, porém temos Dilma, não temos o Chapeleiro, mas o Mantega até que cai bem.

Temos tarifas e impostos incompatíveis com o ganho do brasileiro, todo corte é sempre bem-vindo. Infelizmente, não cortam o Imposto de Renda, mas outros que até produzem algum resultado, alguns ruins. É o caso das mudanças no setor elétrico implantadas no ano passado pelo governo federal e que causaram na Eletrobras um prejuízo de R$ 6,8 bilhões. Nunca antes na história desse País se viu um prejuízo tão grande desde que a companhia foi criada em 1950. Entre outubro e dezembro de 2012, a companhia teve perda de R$ 10,5 bilhões. O prejuízo aconteceu devido à Medida Provisória do Setor Elétrico, que antecipou a renovação das concessões em troca da redução das tarifas. Sem essa obrigação, a Eletrobras lucraria R$ 5,9 bilhões.

Para impedir novo prejuízo em 2013, cuja perda de receita é estimada em R$ 8,7 bilhões, a companhia abriu plano de demissão voluntária visando reduzir 20% de seus 27 mil trabalhadores. Se tem que pagar à vista vários salários, como pode ser bom para a empresa no curto prazo? E os demitidos não são necessários? Uai, se não são, o que faziam lá?

O grande problema da Eletrobras é que seu plano de investimentos até 2017 necessita de R$ 52 bilhões. Deixando de lucrar, o que o leitor imagina que vai acontecer? Uma solução estudada é vender ativos da empresa, principalmente participações em usinas e linhas de transmissão. Se um dia houve intenção de tornar a Eletrobras uma Petrobras, ela caminha na mesma direção falimentar. É claro que falar em falência é exagerar, mas vemos indicativos graves do funcionamento na Petrobras, como negócios mal conduzidos com prejuízos incríveis, compra no mercado nacional do que a indústria brasileira não tem capacidade para fazer (ah, maldita ideologia!), preços controlados dos combustíveis...

O governo federal ainda é palco para outro grande desperdício energético, o eólico. O Nordeste brasileiro reúne condições ideais para instalação dos geradores eólicos, energia limpa. Na região, há 60 usinas em operação. O País possui um total de 92. A energia eólica já representa 2% da capacidade de energia elétrica disponível no Brasil. E com preços competitivos. A participação pode crescer o quanto o estratego federal quiser.

Mas nesse governo, faltam estrategistas. Pois para chegar até os consumidores, a energia eólica depende das redes de transmissão... O leitor já deve estar percebendo o que acontece, não? Nos estados do Ceará, Bahia e Rio Grande do Norte, 26 usinas estão prontas, mas não as linhas de transmissão. Como reza o contrato, o governo federal tem que pagar pela energia não aproveitada. Nos últimos nove meses, foram pagos R$ 263 milhões. Talvez o brasileiro não fique indignado, afinal, o Brasil, país da bolsa-esmola (como dizia Lula, de FHC), é o país das maravilhas, conforme a propaganda oficial, esta sim, de uma competência extraordinária.

Mario Eugenio Saturno
Pesquisador do INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais