A primeira tentativa foi frustrada. A segunda, a opinião pública não deixou passar. A terceira, um vereador do mesmo partido do autor brecou. Hoje, a Câmara tentará pela quarta vez aprovar o projeto que permite aos vereadores gozarem 15 dias de férias no mês de julho. São necessários dez votos favoráveis - número difícil de ser atingido.
As férias de julho foram abolidas após proposta do ex-vereador Marcelo Valim (PSDB) em 2006. Nos anos seguintes, Jépy Pereira (PSDB), hoje presidente de Câmara, tentou por duas vezes reimplantar o recesso, mas o plenário foi contra nas duas oportunidades por causa da pressão popular. Na semana passada, ele reapresentou a proposta em regime de urgência. Adérmis Marini, também do PSDB, não aceitou e o projeto foi inserido na pauta para ser discutido nesta terça-feira.
Pela proposta, os vereadores trabalhariam de 1º de fevereiro a 15 de julho, teriam 15 dias de folga e voltariam ao trabalho no dia 1º de agosto, indo até 23 de dezembro. Não é difícil entender por que os vereadores querem trocar o recesso de dezembro pelo de julho. O ano legislativo termina na primeira semana de dezembro, mas eles acabam ficando presos à Câmara por causa das sessões extraordinárias, que sempre são convocadas pela Prefeitura.
Além de não ganharem nada, podem ter desconto no salário se não apresentarem justificativa, caso faltem. Como, comumente, não há extraordinária em julho, eles poderiam ficar livres para curtir as férias com a família.