10 de julho de 2026

Novo presidente diz que Sindicato dos Servidores estava apático


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Luís Fernando Nascimento, recém-eleito presidente do Sindicato dos Servidores de Franca, que representa cerca de 4,5 mil funcionários

Em dezembro de 2011, a eleição que escolheria o novo presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Franca não atingiu o quórum mínimo exigido pelo estatuto da entidade - 649 pessoas. Faltaram 29 votantes. Um mês depois, foi realizada nova eleição. Em janeiro de 2012, José Nhozinho Sales Ramos, o Paraná, foi reeleito com 502 votos contra 188. A chapa 2 - opositora, liderada por Luís Fernando Nascimento, suspeitou de fraude e denunciou o caso à Justiça do Trabalho, que anulou a eleição, afastou Paraná do sindicato e exigiu novo pleito. Na semana passada, no dia 8, na terceira tentativa de escolher o representante dos servidores, foi refeita a eleição. E o resultado foi um revés. Nascimento saiu vitorioso com 519 votos contra 125 para o adversário da chapa 1. Depois de 12 anos da era Paraná, o Sindicato dos Servidores está agora em novas mãos.

O resultado desestabilizou Paraná. Ao final da eleição, o ex-presidente estava abatido e cabisbaixo. Ele sai de cena após a trajetória no sindicato que começou em 2001, quando se afastou de suas funções na Prefeitura para assumir como vice-presidente dos sindicalistas. Depois, venceu dois pleitos (em 2004 e 2008) como presidente.

Nascimento, o responsável pela quebra de hegemonia - façanha considerada dificílima - é escriturário e tem 46 anos. Ele sabe dos desafios que o aguardam e acredita no diálogo com o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) e os servidores para bons resultados. Disse que espera reerguer o sindicato economicamente, conseguir mais afiliados, implantar o plano de carreira dos servidores e conquistar um maior aumento salarial nas próximas negociações.

Ele se candidatou para concorrer à presidência da entidade pela primeira vez. Formou a chapa 2 e, com o apoio da CUT (Central Única dos Trabalhadores), conquistou os funcionários públicos e teve uma vitória expressiva.

Apesar do resultado - mais de 500 votos -, Nascimento é um novato na vida sindical. Iniciou sua carreira em defesa da categoria - que tem cerca de 4,5 mil servidores em Franca - há apenas três anos. Entretanto, é um veterano na Prefeitura. Tem 25 anos de serviços prestados ao município. Passou pelas áreas de educação, finanças e administração.

Comércio da Franca - O senhor tem 25 anos de carreira no serviço público municipal. Como entrou para a vida sindical?
Nascimento -
Faz uns três anos. Nós, servidores, estávamos sem expectativa de aumento salarial e com dificuldades para implantar o plano de carreira. Alguns funcionários e eu resolvemos entrar nessa luta. Reunimos 43 pessoas e entramos no movimento. Como trabalhei no setor de RH [Recursos Humanos] por quatro anos, tive muito contato com os servidores. Em uma votação posterior, eles me escolheram como líder do grupo.

Comércio - Três anos atrás, quando o senhor entrou na vida sindical, o Paraná já era presidente da entidade. A intenção era acabar com a sequência de vitórias dele?
Nascimento -
Não, queríamos apresentar nosso trabalho para os servidores. Os servidores estavam pedindo, clamando por uma melhoria em todos os setores. Nós fizemos um processo, em que eu e outra funcionária fomos bem atuantes, sobre um plano de incorporação. Foi nossa atuação. Nós pedíamos, clamávamos ao sindicato e não éramos atendidos.

Comércio - Quais eram as principais reclamações em relação à gestão anterior?
Nascimento -
Era a falta de atuação, de fazer algo para o servidor. O sindicato estava apático, não correspondia com as expectativas. Quando conversávamos, pedíamos para implantar algo, não dava certo. Por exemplo, o plano de carreira, desde 1998 estamos pedindo. Todos os eleitos fizeram promessas de campanha, disseram que iam implantar e nunca fizeram. Eles não se empenhavam.

Comércio - Foi um ano e meio de luta até a vitória. No início, em dezembro de 2011, vocês tiveram dificuldade de inscrever a chapa 2?
Nascimento -
Foi difícil. Formamos um grupo de pessoas diferentes. Quando chegamos para a inscrição, eles [presidência na época] barraram, alegavam que algumas pessoas estavam inadimplentes, tinham débitos com o sindicato, mas isso não impediria a inscrição, no estatuto não deixa claro isso. Tive que entrar com ação na Justiça para conseguir participar. Essa foi a primeira vitória. A juíza determinou que aceitassem a nossa inscrição.

Comércio - Ainda em dezembro, o pleito foi anulado por falta de quórum. O Estatuto exigia no mínimo 649 servidores votassem, e 620 sindicalizados participaram. Em janeiro do ano passado, quando Paraná foi eleito, qual foi o clima da eleição?
Nascimento -
Foi muito complicado. Participei de todas as eleições do sindicato, desde 1988 quando foi criado, seja como mesário ou presidente de mesa, e nunca teve aquele clima. Sempre tinham divergências, o que é normal, mas nunca teve aquele clima pesado, com gente intimidando as outras pessoas. Nós achamos que não ia ser desse jeito, mas o clima ficou muito pesado. Pessoas até armadas estavam presentes, mas dissemos que íamos enfrentar.

Comércio - Como surgiram as suspeitas de fraude na eleição de 2012?
Nascimento -
Houve uma armação mesmo. Estava direto no sindicato e previ alguma coisa, alguma armadilha eles iriam aprontar. No primeiro dia houve um bom número de votantes. Chegou a tarde, estava combinado que eu e o Paraná iríamos acompanhar a lacração das urnas. Deu 17 horas e eu fui barrado de acompanhar. Tinha um monte de gente lá dentro, um monte de seguranças. As urnas ficaram na entrada do sindicato e fui barrado, eles simplesmente fecharam a porta. Depois de uns cinco minutos, saiu um rapaz, da chapa da situação, sangrando. Disseram que teve uma briga dentro do sindicato com um pessoal meu, da comissão eleitoral. Um segurança ficou na frente deles [os componentes da chapa de Nascimento], e nesse tumulto aconteceu o desvio das urnas. Meia hora depois eles me chamaram, mostraram as urnas, mas eu disse que estava errado. Como não tinha como abrir as urnas, que foram lacradas, não teve como eu comprovar as cédulas.

Comércio - Pensaram, depois desse episódio, em desistir da candidatura?
Nascimento -
Nós [o pessoal da chapa de oposição] nos reunimos naquela noite. Eles disseram que, por um tempo, as urnas ficaram fora do campo de visão deles. Nós achamos que aconteceu [a fraude]. Decidimos continuar, mas entramos com uma liminar pedindo para que nossos mesários e presidentes de mesa fossem escrutinadores [que apuram a votação]. A intenção era que nós conferíssemos as assinaturas, víssemos que teve problema e anularíamos as votações daquelas urnas. A Justiça autorizou, só que eles conseguiram uma liminar e barraram a gente por mais uma vez.

Comércio - Vocês acompanharam o processo de contagem dos votos na Câmara Municipal?
Nascimento -
Fomos à Câmara, não tinha jeito de fazer mais nada. Foram conferir as cédulas e nós vimos a irregularidade. Levei um mesário que tinha visto todas as assinaturas e ele disse que estava errado. Quando começamos a falar isso começou aquele tumulto. Após vermos que estava errado, decidimos ir embora. Procuramos a polícia, registramos um boletim de ocorrência e fomos à Justiça.

Comércio - Em algum momento vocês acharam que a Justiça do Trabalho iria decidir contra vocês?
Nascimento -
Tudo poderia acontecer, depende muito da interpretação de cada juiz. Estava confiante, mas tinha receio de não acontecer. Ao decorrer do processo, vencemos todas as liminares e conseguimos chegar até aqui.

Comércio - E quais eram as expectativas para essas eleições, que terminaram com a vitória do senhor com 519 contra 125 votos?
Nascimento -
Estávamos confiantes, mas certeza da vitória não tínhamos. Estávamos confiantes pelo apoio que encontramos em todos os setores. Todo mundo estava pedindo mudanças. Eles diziam para que nós [da chapa 2] ficássemos tranquilos, mas nunca ficamos. Enquanto não tem a última contagem, a gente não relaxa.

Comércio - O senhor já tem informações de que a situação financeira do sindicato é crítica. Como planeja sanar o problema?
Nascimento -
É uma dificuldade grande, tem várias dívidas, de impostos, fundo de garantia, com o INSS. O administrador que está lá [Júlio César di Madeo] disse que a situação não é muito legal. Vai ser muito difícil administrar. Vamos ter que trabalhar junto com o servidor, agremiar mais servidores, para tentarmos as conquistas.

Comércio - Qual a estratégia para atrair mais sindicalizados?
Nascimento -
É essa confiança que nós recebemos nas urnas. Colegas falaram que assim que nós assumirmos entrarão de imediato. É na credibilidade que apostamos. Eles estão apostando em mim e no nosso grupo.

Comércio - Como implantar o plano de carreira, tão esperado?
Nascimento -
Acredito que não teremos dificuldades para conversar com o prefeito [Alexandre Ferreira, PSDB]. Ele vai nos receber para dar início ao plano. Existe um plano pré-pronto e que temos que levar para o servidor para discutirmos. Mas acredito que terei uma boa abertura de trabalho com o prefeito.

Comércio - O senhor diz valorizar o diálogo com o comandante de Franca. Com 25 anos de Prefeitura, o senhor conviveu com o ex-prefeito Sidnei Rocha (PSDB). Quem prefere: Sidnei ou Alexandre?
Nascimento -
O Alexandre é um funcionário, é um colega de trabalho nosso. Acredito que ele vai fazer um bom trabalho. O Sidnei era uma pessoa mais difícil, tivemos poucos atendimentos através do sindicato. Não tinha diálogo. Acredito que agora passamos a ter essa abertura, pelo Alexandre ser um funcionário também.

Comércio - Qual será a maior dificuldade que o senhor acredita que enfrentará?
Nascimento -
Por enquanto, é a falta de conhecimento na área sindicalista. Mas temos bons conhecimentos da Prefeitura, acredito que teremos bons resultados. Pretendo me preparar fazendo cursos, para errar o menos possível. Não somos perfeitos, nem queremos ser.

Comércio - O Sindicato dos Servidores Municipais representa uma classe com cerca de 4 mil pessoas. Qual recado o senhor deixa a elas?
Nascimento -
Podem esperar muito trabalho. Vou estar em todos os setores, vou ser o porta-voz deles. Vou até eles, é só me chamar, me ligar, que estou disponível para conversar no próprio lugar de trabalho.