08 de julho de 2026

O óbvio


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Qualquer pessoa que já lidou com planejamento estratégico sabe que existem medidas a serem tomadas em situações de crise. Por exemplo, 50 mil assassinatos por ano no Brasil. Se isso não é crise, o que será? Quando topamos com um problema assim, é necessário elaborar um PAI - ‘Plano de Ação Imediata’, com ações que têm efeito imediato na crise. Em paralelo, começam a ser colocadas em prática as ações de médio e longo prazos.

A solução ‘melhorar a educação’, por exemplo, não tem efeito de curto e médio prazo sobre o problema da violência no Brasil. É fundamental para as próximas gerações, mas não resolve a crise. Não sou expert em segurança (embora seja discutível, pois quem nos colocou na situação de hoje foram exatamente os expérrrtos, não é?), mas imaginei algumas ações para um PAI - ‘Plano de Ação Imediata para combater a violência urbana’. São ideias que surgem sem ordem e sem mergulhar fundo, especialmente nas questões filosóficas e ideológicas. Alguém dirá que são óbvias. Outros que são coisa de reacionário. Ações de efeito imediato. Deixa eu repetir: de efeito imediato. Lá vão.

- Redução da maioridade penal. Seria de 12 anos de idade, ou nem teria idade definida. Cada caso, um caso, julgado conforme as circunstâncias. O objetivo é dificultar que “maiores” usem “menores” como válvula de escape.

- Privatização do sistema prisional. Com uma proposta generosa que garanta um bom retorno a quem investir nas penitenciárias. Mesmo que o custo monetário seja superior ao atual, valerá a pena diante do custo social que não contabilizamos hoje. Penitenciárias modernas, cabendo ao governo a função de fiscalizar o sistema.

- Combate ao tráfico de armas. É uma vergonha o que acontece hoje. Essa é uma função do governo que simplesmente não é cumprida por não ser considerada prioritária e talvez por ferir alguns interesses econômicos.

- Para as polícias: melhoria salarial, equipamentos de primeira linha, sistema de recrutamento e seleção eficiente e moderno. Ah, não tem dinheiro? Mas R$ 40 bilhões prá Copa tem, né?

- Uma limpa no corpo policial e no judiciário, caçando impiedosamente os corruptos.

- Implantação da política de Tolerância Zero nas áreas de maior índice de criminalidade. Não sabe como? Contrate uma consultoria com Rudolph Giuliani e a turma de Nova Iorque.

- Uma agressiva campanha de comunicação, criada e implementada pelo marqueteiro do PT, João Santana, para acabar com a imagem de que a policia é contra os pobres e oprimidos. A campanha combaterá o viés ideológico e motivará a população a trabalhar em conjunto com a polícia.

Putz... Mas que coleção de obviedades. Pois é. Mas se é tão óbvio, por que não fazemos? Sete sugestões de ações de curto prazo (entendeu? Efeito imediato!) que surgiram assim, na hora, sem muito pensar a respeito, baseadas apenas no bom senso. Daria pra colocar muitas mais, e você deve ter outras.

Luciano Pires
Jornalista, escritor, palestrante, cartunista