Isadora carrega na sua mochila estojo com lápis, caneta e borracha; agenda para marcar atividades; caixa de lápis de cor e o seu lanche. Às vezes algum dinheiro. João Marcelo leva quase a mesma coisa e acrescenta pastas e livros. Vinícius coloca ainda seu livro de inglês. Maria Clara, tudo isso e mais apontador e duas borrachas, pois teme perder uma e, de fato, borracha faz muita falta nas aulas para quem quer ter cadernos bem limpos, sem rabiscos. Letícia acrescentou à lista básica a régua e uma revista Lego, o que também foi listado por Marco Antonio e Laís. Todos são alunos do COC e disseram gostar de deixar a mochila bem arrumadinha para chegar à classe e não ter de ficar procurando coisas.
Quase todos os avós, mas poucos pais, usaram o caderno da caligrafia. Ele era pautado, quer dizer, tinha grupos de cinco linhas onde se treinava uma letra bem bonita. Primeiro as maiúsculas, depois as minúsculas. Quem não tinha boa letra, era mais exigido nesses exercícios. O caderno de caligrafia fazia par com a cartilha.
Será que sempre existiu mochila? Como os pais das crianças de hoje le-vavam seus objetos para a escola? E os avós? O Clubinho fez uma viagem ao passado e revelou para meninos e meninas como funcionava o ensino escolar há algumas décadas. Pra começo de conversa, avós não conheceram mochila, só lancheira. Ela era de metal, tinha forma retangular e exibia estampas bonitas de animais, cantores, flores, paisagens. Quem não tinha lancheira levava o lanche em sacolinha de pano ou saco de papel.
A cartilha era um tipo de livro que relacionava letras do alfabeto e figuras. Por exemplo, para explicar a letra U, maiúscula e minúscula, havia o desenho de um cacho de uvas. A letra B era ilustrada pelo boi. A letra E, pela ema. A letra V pela vaca. E assim por diante. A mais famosa cartilha brasileira chamava-se Caminho Suave. Sua autora, Branca Alves de Lima. É bem possível que seus avós tenham aprendido a ler nela.
Ao lado da cartilha, até o final dos anos 50, o ábaco figurava em toda sala de aula. Era uma peça de madeira, com haste, onde se alojavam bolinhas coloridas. Essas bolinhas corriam de um lado a outro. Assim as crianças aprendiam a contar.
Ah, também não havia caneta esferográfica no tempo dos avós. As crianças, até 1958, usavam caneta-tinteiro. Sabe o que é isso? Ela era composta por uma haste, tinha uma ponta de metal que era molhada na tinta e então corria pelo papel fazendo as letras. Como a tinta absorvida pelo papel podia confundir as letras, usava-se o mata-borrão para secar um pouco o que se escrevia. Então, era complicado.
Mas as crianças só começavam a escrever à tinta quando já estavam craques no alfabeto. Para treinar a letra usavam o lápis Johann Faber. Tinha o número 1, de ponta mais fina; e o número 2, mais grossinho. O lápis é uma invenção formidável dos alemães que usaram madeira para cobrir o grafite. Depois colocaram um pedacinho de borracha na ponta. O lápis segue firme sem concorrência. Ainda não inventaram nada melhor para a função que ele desempenha.
A caneta esferográfica foi inventada em 1938, por um húngaro chamado Lazio Biro. Demorou um pouco para chegar ao Brasil. Mas quando isso aconteceu, foi o maior sucesso. Adeus, lambreca de tinta preta borrando o papel! Adeus, mata-borrão! Bem-vinda, Bic! Primeiro, a azul; depois, a vermelha; e logo em seguida o estojinho com dez cores.
E cola em bastão não existia ainda nem na imaginação, quando a maioria dos avós e alguns pais estudavam. Para colar as coisas, como figuras no caderno de Artes, usava-se goma arábica, outro produto complicado. Vinha num vidro e havia o pincel para passar a cola no verso da figura e colar. Uma traba-lheira danada e o resultado nem sempre era bom. Se a criança carregava na cola, ficava uma feiura o trabalho. A cola tipo Pritt só apareceu em 1969. Foi saudada como grande novidade.
Como não havia Internet, as pesquisas eram feitas nas enciclopédias, enormes coleções de livros que tratavam os assuntos por ordem alfabética. Uma enciclopédia muito famosa, e até hoje usada, é a Barsa. Também a Conhecer se tornou um fenômeno quando publicada no Brasil pela primeira vez no ano 1967: foram vendidos mais de 100 milhões de fascículos. Fascículos eram os livros que compunham a enciclopédia.
Viu como os objetos mudam com o passar dos anos? A isso chamamos evolução. Tudo veio melhorando e tornando a aprendizagem mais fácil. Até a forma de sentar-se em sala de aula mudou. Seus avós certamente, e seus pais talvez, sentaram-se em bancos de madeira, dividindo o espaço com outro colega. Hoje as carteiras são individuais e têm suporte onde colocar o caderno, à direita, além de lugar embaixo para acolher as mochilas.