A sessão da Câmara Municipal desta terça-feira mal tinha começado e as movimentações de bastidores já davam mostras de que o dia seria quente. Papéis sendo distribuídos, vereadores conversando nas cadeiras destinadas ao público e assessores pendurados nos celulares. Não demorou para que a discussão viesse à tona. No centro do debate, a revitalização da Estação da Mogiana.
Não eram nem 10 horas, quando o comerciante José Baltazar Taveira, de 58 anos, subiu à tribuna para pedir o voto contra o projeto de autoria da vereadora Valéria Marson (PSDB), que previa a destinação exclusiva do prédio da Estação para a criação do Centro Cultural “Pedro Paulo Salles Dounner”.
“Se esse projeto for aprovado, irá matar o comércio da Estação. Nós, comerciantes, somos contra”, disse. Para ele, a saída seria o projeto do vereador Adérmis Marini, também do PSDB e líder do governo na Câmara. No projeto do tucano, intitulado Estação Viva, estão previstas diversas melhorias no prédio da antiga estação e no seu entorno.
Foi o bastante para que Valéria Marson expusesse o racha do ninho tucano. Ao usar o microfone, a vereadora se disse vítima. Acusou Adérmis de coação e intimidação. “Não sou contra os comerciantes da Estação. O que eu não aceito é imposição. Não dá para chegar e falar ‘ou retira seu projeto ou vou fazer todo mundo votar contra’. Aqui é uma democracia. Não aceito coação. Tem que haver diálogo”, discursou.
Em seguida, foi a vez de Adérmis se defender. “A senhora não tem o direito de falar em coação ou imposição. Estou negociando com o pessoal da Estação desde outubro do ano passado, antes mesmo da eleição. Eu convidei a senhora para apresentar esse projeto em conjunto, a senhora não quis. Convidei-a para as nossas reuniões, a senhora não foi. Até ontem à noite, estava tentando um acordo. A senhora é que foi intransigente.”
Com os ânimos bem alterados, os dois começaram a discutir. Aos berros, Valéria pediu que sua fala fosse respeitada. Adérmis a interrompia tentando se explicar. Foi preciso a intervenção dos vereadores Márcio do Flórida (PT) e Luiz Vergara (PSB) e do presidente da Câmara, Jépy Pereira (PSDB), para que a discussão se acalmasse. Os três pediram a apresentação de um projeto conjunto.
Mesmo longe dos microfones, os dois ainda continuaram a discutir em tom mais baixo. Só pararam com a chegada do assessor legislativo do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), Edvaldo Costa. “Considero normal que haja esse tipo de discussão. Mas vamos encontrar o meio-termo e apresentar uma proposta coletiva.”
No período da tarde, quando são feitas as votações, os ânimos já estavam bem melhores. Assim que o projeto de Valéria foi lido, ela pediu que fosse retirado da pauta. A atitude foi elogiada pelo presidente da Câmara. “Acho nobre que a vereadora tenha acatado o pedido para um projeto coletivo”, disse Jépy.
Agora os tucanos terão que se entender para que uma nova proposta de revitalização da Estação seja apresentada na próxima sessão.