A DIG (Delegacia de Investigações Gerais) apresentou, na manhã de ontem, a dupla acusada de estuprar na noite do dia 3 de abril uma estudante de 19 anos, da Unesp. Os motoristas Antônio Edvan da Silva Ferreira, 29, do City Petrópolis, e José Alex da Silva, 28, do Residencial São Domingos, foram reconhecidos pela vítima. Ferreira confessou o crime. Silva, informalmente, segundo o delegado Márcio Garcia Murari, também confirmou participação, mas no momento de depor, por orientação de um advogado, ele disse que só se manifestará em juízo. A dupla, indiciada por estupro e roubo qualificado, teve a prisão temporária decretada por 30 dias.
A polícia tomou conhecimento do estupro seguido de roubo no final da noite do dia 3 de abril. A universitária, que teve a identidade preservada, disse que logo após deixar o prédio da Unesp, no Jardim Petráglia, por volta das 22h30, foi abordada por dois homens em um Chevette de cor branca e barulhento. Ela foi raptada e levada para uma mata nos fundos do Jardim Santa Mônica, onde viveu cerca de 40 minutos de abusos sexuais. Depois, ela foi abandonada nas proximidades do Cemitério Santo Agostinho. A dupla levou um celular e R$ 50 da jovem. “Houve a participação dos dois na violência sexual”, contou Murari.
A DIG assumiu a investigação por determinação da Delegacia Seccional. A principal prova para se chegar aos autores veio do Deic (Departamento de Investigação sobre Crime Organizado). Acompanhada de agentes de Franca, a vítima esteve em São Paulo, da sede do Deic, onde, durante quatro horas, ficou ao lado de um perito elaborando um retrato falado. O resultado final é extremamente semelhante a Ferreira.
Na manhã da última segunda-feira, policiais da DIG chegaram à casa de Ferreira, no City Petrópolis. Apesar da semelhança com o retrato falado, ele tentou negar participação nos crimes, mas após a localização do aparelho celular da jovem universitária em poder de um familiar dele, o rapaz confessou. O motorista de 29 anos contou em detalhes tudo o que ocorreu na noite de 3 de abril. Ele culpou o excesso de bebida alcoólica para o “descontrole” e apontou Silva, como o segundo envolvido. “Nós conseguimos informações de que o comparsa (também motorista de ônibus de sacoleiros) viria de São Paulo ontem (segunda-feira) à noite. Montamos uma operação no pedágio de Restinga (Rodovia Cândido Portinari) com o apoio da Polícia Rodoviária. Ele foi detido e conduzido à sede da DIG”, disse Murari. Na abordagem, segundo o delegado, Silva confessou os crimes, mas depois se negou a depor por orientação do advogado. Na casa dele, a polícia localizou o carro usado.
A dupla, assim como o veículo apreendido, foram reconhecidos pela vítima. Os motoristas, que possuíam passagens por acidentes de trânsito, foram indiciados por estupro e roubo qualificado e podem ser condenados a até 20 anos de reclusão. Eles foram recolhidos em uma cela especial da cadeia do Jardim Guanabara, de onde devem ser transferidos nos próximos dias para o CDP de Serra Azul (SP), que abriga acusados de crimes sexuais.