Segundo a psicóloga ribeirãopretana, Marluci Fagundes de Carvalho, especialista em comportamento, diferente do que se imagina, poucos agressores seriam pacientes com distúrbios ou transtornos psiquiátricos que justificassem tais atos. “São poucas as referências que indicam distúrbios dos agressores, como psicose ou pedofilia, que favoreceriam o abuso. Como citado anteriormente, a grande maioria dos agressores são do convívio próximo à criança e não se encaixam nestes diagnósticos”.
Comércio - Como uma avaliação psíquica ajudaria no combate ao estupro?
Marluci Carvalho - Não raro, os agressores trazem relatos de vitimização na infância ou adolescência, o que reforça a hipótese de que a prevenção, bem como a orientação e o tratamento psicológico das vítimas pode evitar que novos casos ocorram.
Comércio - Que doenças psicológicas afetam a libido?
Marluci - Salvo situações específicas como a pedofilia, outros transtornos podem ou não afetar a líbido dos indivíduos.
Comércio - A senhora concorda com pena estipulada pela Justiça brasileira que só prevê detenção e não tratamento psicológico às pessoas acusadas e condenadas por crimes desta natureza?
Marluci - Por todos os dados apresentados, é uma infelicidade que os agressores estejam excluídos do tratamento psicológico. Essa é uma estratégia eficaz para romper-se o ciclo de agressões.
Comércio - Se houvesse, tal tratamento seria suficien?
Marluci - Entendo como uma estratégia paliativa. Ainda assim, importante se quisermos conhecer a natureza social e psicológica das agressões sexuais, crimes reconhecidos como dos mais antigos da natureza humana.