Uma busca por imagens nos órgãos de divulgação do Palácio do Planalto (página na Presidência da República ou Agência Brasil) constata-se, desde sua posse, que em todas as fotos mostram Dilma Rousseff e seus mais diretos assessores numa risada só. Poderia se dizer até que se trata de um traço da alma do brasileiro; povo tradicionalmente alegre. Mas, em algumas ocasiões, vê-se que não se trata disso: em uma solenidade em Fortaleza (CE), um mês atrás, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, claramente gargalha, ao lado da presidente e do governador do Estado, Cid Gomes (no momento em que o Estado enfrentava grande calamidade, com a maior seca dos últimos 50 anos assolando todo o Nordeste). Dificilmente vê-se, de parte das maiores autoridades do País, semblantes graves — a não ser diante de uma tragédia, como a morte de centenas de jovens numa boate em Santa Maria (RS).
Porém, do jeito que a banda vem tocando, não se entende esta alegria toda. A partir da situação econômica brasileira, que a cada dia apresenta indícios de deterioração (inflação crescente, PIB pífio e produção estagnada, além dos números negativos do comércio exterior, só para ficarmos nos mais recentes) e não se vê, pelo menos em curto prazo, uma solução para que o Brasil não se deixe de contaminar pelas turbulências que afetam gigantes da Europa e os Estados Unidos.
Também não é caso de se rir com os crescentes índices de violência que envolve, de um lado, o cidadão brasileiro e, de outro, marginais cada vez mais jovens e frios, sem nenhum remorso. Nos últimos meses, uma sucessão de crimes têm deixado a população brasileira apreensiva quanto ao seu futuro. E, em grande parte deles, a participação de menores de idade torna o problema maior ainda, já que no País não se consegue conter — e muito menos ressocializar — nem os adultos condenados.
Os índices de escolaridade continuam baixos e, em que pese os anúncios do governo federal sobre avanços, na prática não se percebe mudança nenhuma. Ao anunciar a destinação total dos recursos dos royalties do petróleo para a educação, a presidente joga para um futuro incerto os investimentos que deveriam estar sendo feitos há muito tempo. Estados e Prefeituras já não conseguem acompanhar o ritmo de crescimento da população em idade escolar e necessitam que o governo federal contribua para que a situação atual se reverta.
No mesmo instante, o casuísmo passa a tomar conta de nosso fisiologista (em sua grande parte) Congresso Nacional, quando parlamentares —apoiados por réus condenados que, em virtude das brechas da legislação brasileira, continuam livres e atuantes, influindo nas decisões do Legislativo —tentam amarrar a Justiça do País, buscando submeter as decisões da mais alta corte do Judiciário a deputados e senadores, além de procurar impedir que o Ministério Público tenha o poder de investigar. São duas decisões retaliatórias, já que parlamentares foram investigados pelo MP e condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por práticas criminosas no escândalo conhecido como Mensalão.
Embora Dilma e seus ministros, secretários e assessores continuem rindo em todas as ocasiões, o País vê com preocupação os problemas se avolumarem, esperando que sejam tratados com a devida seriedade. Rir, pode ficar para depois que tudo estiver nos trilhos.