09 de julho de 2026

Atropelamentos em Franca matam cinco em 30 dias


| Tempo de leitura: 3 min
Homens do Corpo de Bombeiros correm ao socorrer o pequeno Lucas após acidente no Jardim Ângela Rosa em abril

Cinco pessoas perderam suas vidas nas ruas de Franca em abril ao serem atropeladas. Outras sete ficaram gravemente feridas e ainda lutam pela recuperação. Nos últimos 30 dias do mês passado, foram registrados 12 casos de atropelamentos, mais que em todos os outros três meses do ano juntos, que tiveram 11 casos (foram 23 no total em 2013), segundo notícias publicadas pelo Comércio. Para as autoridades, a irresponsabilidade e falta de respeito às normas de trânsito tanto por parte dos motoristas como dos pedestres são as principais responsáveis pelas tristes estatísticas.

Rogério Bonini Mendes, de 32 anos, era um jovem com sonhos de se casar e constituir família. Ele estava desempregado e vivia trabalhando fazendo serviços eventuais de pintor. Na noite do dia 21, um acidente de trânsito tirou sua vida. Ele foi atropelado quando caminhava pela rua Escrivão Marcos Sodré, na Vila Nossa Senhora de Fátima. O motorista fugiu sem prestar socorro. Populares acionaram os Bombeiros, que o socorreu com ferimentos graves e traumatismo craniano até a Santa Casa de Franca, onde ele morreu dois dias depois.

Para a mãe de Rogério, a dona de casa Hélia Bonini Mendes, 67, a dor da ausência de Rogério é insuportável. “Ele morava comigo. Não há um só dia que não sinta a falta dele. Não é justo meu filho perder a vida assim.”

O motorista do Peugeot que atropelou Rogério e fugiu acabou localizado pela polícia depois de ter abandonado o carro na Estação. O vendedor de calçados Guilherme Arantes Junqueira, 24, ao ser interrogado pelo delegado João Tostes, disse que atropelou o pintor porque ele teria tentado furtar uma casa. O inquérito sobre o caso ainda não foi concluído. Guilherme está em liberdade.

Para Hélia, o vendedor merece ser punido. “Acidentes acontecem. Todo mundo está sujeito a isso. Mas acho que a pessoa tem que assumir sua responsabilidade e prestar socorro. Ele não fez isso. Ele deixou meu filho caído no chão, sangrando. Depois da morte, não me ligou nem para saber se eu tinha dinheiro para pagar o caixão do Rogério. Não me pediu se quer desculpas pelo mal que causou. No meu entendimento, ele merece ser punido.”

A reportagem tentou localizar Guilherme e seu advogado Eric dos Santos mas não teve sucesso.

Postura bem diferente foi adotada pelo caminhoneiro Antônio Borges, 64, que no dia 18 de abril atropelou Lucas Camilo, de 4 anos, no Jardim Ângela Rosa. O garoto soltou da mão da avó e correu para o meio da rua. O motorista não teve tempo de desviar e acabou passando com as rodas sobre as pernas de Lucas. Depois do atropelamento, Antônio permaneceu ao lado da vítima.

Lucas foi socorrido e levado para o Hospital Unimed, onde passou por cirurgia nas pernas. Passados 15 dias do acidente, o menino se recupera bem. Na semana passada, retirou os pontos e logo deve começar a fisioterapia. Segundo familiares, apesar de estar bem, Lucas ainda sofre ao lembrar do acidente e sente muitas dores.

O secretário municipal de Segurança, que é responsável pela Divisão de Trânsito da Prefeitura, Sérgio Buranelli, disse que o aumento no número de atropelamentos em Franca preocupa. “São vidas que estamos perdendo por causa de acidentes que, na maioria das vezes, poderiam ser evitados.”

Para ele, a diminuição das ocorrências passa necessariamente por um aumento de fiscalização e por uma mudança na legislação tornando as punições para quem infringe as regras mais duras.

A mesma opinião tem o tenente Marcel, que comanda o pelotão de Trânsito em Franca.