09 de julho de 2026

Para vereador, já existia um estudo de impacto pronto


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Três das quatro testemunhas convocadas pela CEI (Comissão Especial de Inquérito), que investiga supostas irregularidades na construção do viaduto “Dona Quita”, compareceram na Câmara de Vereadores na tarde de ontem. Os arquitetos do município, Liliana Chimelo de Almeida, Maria de Lourdes Jacinto Pucci e o Eduardo Renato Junqueira, são três dos sete profissionais que assinaram o EIV (Estudo de Impacto de Vizinhança). O documento foi enviado à Câmara com o intuito de obter apoio dos vereadores no projeto de construção do viaduto. O economista Deyvid Alves da Silveira, também convocado, não compareceu.

O presidente da CEI, o vereador Márcio do Flórida (PT), questionou a participação de cada um deles no estudo. Os testemunhos pouco ajudaram. “O objetivo de ouvir as pessoas que assinaram o estudo é para entender as condições em que ele foi feito. Ao que parece, confirmam-se nossas suspeitas de que não foi efetivamente realizado um estudo de impacto de vizinhança. Tanto que temos um calhamaço apresentado, mas as seis pessoas ouvidas até o momento pela CEI assumem apenas cinco itens deste documento. Tudo indica que já existia um estudo pronto”, disse Márcio do Flórida.

Segundo o vereador, a maior parte dos itens apontados no estudo (12 itens e vários subitens) não tem profissional que assuma como sendo de sua autoria. “Ao final dos trabalhos da CEI, teremos que fazer a indagação de quem é de direito. Queremos saber quem foi efetivamente o responsável por este trabalho. Constatamos também que não foi recolhido a ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) deste trabalho. Todos que compareceram admitiram o não recolhimento.”

A arquiteta Liliana Chimelo afirma que sua participação no estudo foi em relação à análise a implantação de sinalização e desvio dos veículos durante a obra. Já a arquiteta Maria de Lourdes disse que sua responsabilidade foi apenas na retirada de 22 árvores da espécie sibipiruna da avenida. Em seu depoimento, o arquiteto Eduardo Junqueira afirmou ter sido responsável por apenas um item do estudo que é a análise de impacto arquitetônico, ou seja, se o viaduto afetaria o visual dos imóveis no local, o que segundo ele, não ocorreu.

O presidente da CEI encaminhará uma nova intimação ao economista Deyvid Alves da Silveira para que o mesmo compareça na próxima oitiva marcada para o dia 10 de maio no plenário da Câmara, às 14 horas. Caso o economista não compareça na próxima oitiva, caberá à CEI tomar as atitudes cabíveis podendo requerer a condução policial ou ouvi-lo na Prefeitura.

Foi analisada também uma documentação solicitada pela CEI à Copel (Comissão Permanente de Licitações). Segundo Márcio do Flórida, foram constatadas irregularidades, mas as mesmas serão apontadas somente no relatório final. A previsão inicial é de que a CEI conclua os trabalhos até o dia 16 de junho. Caso haja necessidade, o prazo poderá ser ampliado por até 45 dias.